Saudade, Ralf! Timão dá espaços demais e perde em Assunção; veja análise

alx_corinthians-x-cerro-porteno-20160310-0003_originalRalf passou anos à sombra de estrelas que contribuíram para levar o Corinthians a conquistar os títulos mais importantes de sua história. Com fôlego inesgotável, seguia à risca uma orientação básica: marcar, roubar a bola e passar. Sem frescura, sem inventar, apenas o simples. Dois meses depois de o furacão chinês passar pelo CT Joaquim Grava, Tite ganhou reforços para substituir Jadson, Renato Augusto e até Gil, mas dificilmente vai encontrar no atual elenco alguém que repita o desempenho do volante. E o Timão sofre com isso.

O “cão de guarda” alvinegro funcionava como um ponto de equilíbrio no posicionamento da equipe. Cabia a ele se transformar em um terceiro zagueiro para suportar qualquer pressão adversária, cobrir as descidas dos laterais e o mais importante: marcar o principal articulador de jogadas rival.

A versão 2016 do Corinthians está bem mais exposta defensivamente. Bruno Henrique passa melhor a bola do que Ralf, é verdade. Mas nem de longe tem o poder de marcação ou o senso de proteção de seu antecessor para fechar o meio de campo e impedir avanços mais perigosos pelo setor.

Os dois últimos jogos evidenciaram o problema. Curiosamente, ambos fora de casa, quando o Timão deveria se fechar mais. Lucas Lima jogou praticamente livre no primeiro tempo do clássico contra o Santos e foi decisivo no gol de Ricardo Oliveira que abriu o placar. No Paraguai, na última quarta-feira, o Timão voltou a dar espaços demais. Sergio Díaz e Luís Leal tiveram campo de sobra para infernizar a defesa e serem decisivos para o Cerro Porteño vencer por 3 a 1.

Tite também precisa de mais tempo para trabalhar. O Corinthians ainda não tem as linhas tão compactadas como no ano passado. O time campeão brasileiro funcionava como uma engrenagem perfeita. Há um detalhe importante: Guilherme, Giovanni Augusto e André marcam bem menos que Renato Augusto, Jadson e Vagner Love. Isso também ficou evidente no Paraguai.

CABEÇA QUENTE
Os espaços dados em Assunção obrigaram o Corinthians a correr atrás dos paraguaios e a exagerar em lances mais bruscos. Foram 16 faltas cometidas, número dentro da média nacional, mas os seis cartões amarelos pesaram. André e Rodriguinho acabaram expulsos e abriram caminho para que o Cerro Porteño virasse.

Giovanni Augusto e principalmente Lucca correram demais pelos lados para ajudar a marcação, mas não foi o bastante. Se Fagner teve problemas no primeiro tempo, Uendel acabou engolido na etapa final. O Cerro concentrou toda sua esperança pelo lado direito, com o trio Bonet, Jorge Rojas e Luís Leal.

A maior exposição defensiva também atingiu em cheio os zagueiros. Ambos não estiveram bem. Felipe perdeu o duelo individual com o centroavante Beltrán no primeiro e no terceiro gols dos paraguaios. Um fantasma para quem falhou no mesmo estádio Defensores del Chaco no ano passado, contra o Guaraní, carrasco corintiano nas oitavas.

Tite não tem muito o que fazer para corrigir de marcação no meio. Provavelmente, insistirá com Bruno Henrique. No máximo, o trocará por Willians, jogador que mais se assemelha a Ralf no elenco. Cristian, na análise da comissão técnica, não tem mais o vigor físico para ser primeiro volante. Maycon e Elias jogam mais adiantados. Ralf faz falta. E como faz…