Saúde precária: Mais um bebê nasce em recepção de hospital baiano

zzPor falta de médicos no Hospital Municipal Esaú Matos, de Vitória da Conquista, a 520 quilômetros de Salvador, uma mulher teve o bebê em um banco da recepção da unidade de saúde. As imagens do parto foram registradas por um celular. Esse foi o terceiro caso que ocorreu entre o sábado (7) e domingo (8) na unidade. Na manhã de domingo, um dos bebês que nasceu na recepção não resistiu e morreu.

Acompanhantes de pacientes internados no hospital presenciaram os partos e o desespero das outras grávidas que aguardavam por atendimento. O vídeo registrado por uma das pessoas que estavam no local mostra um segurança com um lençol, usado para proteger a mulher que está em trabalho de parto. Em outra imagem é possível ver o bebê logo após o nascimento.

Segundo a cabeleireira Geisa Nascimento, esse não foi o primeiro bebê que nasceu na recepção do Hospital Municipal Esaú Matos. Ela contou que precisou ajudar outra gestante em um parto na madrugada de sábado para domingo.

zzzz“A moça falou assim: está nascendo! Quando eu vi a cabeça da criança, eu simplesmente puxei. Como eu sabia mais ou menos como é que era, puxei. Quando eu estava com a criança na minha mão foi que eles vieram de lá para cá com a maca”, descreveu Geisa Nascimento.

Na manhã de domingo, outra mulher precisou da ajuda da cabeleireira na recepção. Segundo Geisa, quando o bebê já estava nascendo, as enfermeiras levaram a mãe para dentro do hospital, mas a criança não resistiu e morreu. Gisele dos Santos, tia do bebê, reclamou do atendimento do hospital.

“Os funcionários foram chamar lá dentro. Ela [funcionária] simplesmente puxou pelo braço da minha irmã e carregou lá para dentro, igual a um cachorro. Ela puxou correndo, puxou a menina pelo braço, nem a sandália a menina pegou e [estava] sentindo muita dor”, criticou Gisele dos Santos.

O autônomo Antônio Lúcio Santos conta que presenciou os atendimentos no hospital e descreveu as situações como “desesperadoras”. “Quem estava aqui era desesperador. Era algo que eu na minha vida nunca vi um tratamento com o ser humano tão terrível, tão horrível quanto foi aqui”, lamentou.

Segundo informações do Hospital Municipal Esaú Matos, na tarde de domingo, a médica que estava atendendo no Hospital Geral da cidade foi atender na unidade. Já durante a noite também teve médico plantonista, mas até esta segunda-feira (9) não se sabe se terá médico para atender no hospital.