“Último” político honesto do mundo, Mujica dá Lição de vida durante entrevista a Bial

Depois de fazer seu nome na política, aos 81 anos, Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, ainda sente o coração bater mais forte ao falar da profissão que o colocou em evidência e também o instigou, desde jovem, a ser militante e, consequentemente, prisioneiro durante 13 anos. E é justamente esse amor que ele deixou em evidência no Conversa com Bial desta sexta-feira (5/5). “A política está doente do mesmo que a sociedade. Se você se ilude achando que vai enriquecer na vida e isso se transforma também para a política, estamos fritos.”

pepe
Foto: TV Globo

Para o ex-presidente, governar tem que ser um ato de amor. “Tem que ter interesse de carinho humano, de reconhecimento humano. A política não pode ser instrumento para comprar riqueza. E tem que ser um instrumento para costurar o amor social.”

mujica
Foto: TV Globo

Mujica é casado desde os anos 70 com a também ex-militante Lucía Topolansky. Enquanto presidente, Mujica recebia 230 mil pesos (cerca de R$ 22.122) mensais, doando quase 70% para o seu partido, a Frente Ampla, e também a um fundo para construção de moradias. Mora em uma chácara em Rincón del Cerro, zona rural de Montevidéu, onde cultiva flores e hortaliças e para ele o restante que sobrava do seu salário (30 mil pesos mensais, cerca de R$ 2.800) era o suficiente para se manter. “por sorte por enquanto tenho minha esposa que “banca’ as despesas”, diz o presidente

Simples e sentado num banco de madeira de seu sítio, Pepe Mujica que nunca gostou de Luxo e andava até os dias atuais em um simples “Fusquinha” que tem desde os tempos em que era presidente, contou ao apresentador Pedro Bial que não pensa mais em se candidatar, mas que se fizesse isso, certamente, levaria a eleição. “Mas serei militante até o caixão, se puder”, enfatiza.

05
Foto: TV Globo

Avesso a era do consumismo, o político alerta ainda sobre a importância de valorizarmos os momentos, as pessoas. “Há outra coisa mais bonita que o consumo: o tempo com os filhos, os afetos. Ter tempo para cultivar os afetos, que é o único que levamos. Se sou uma máquina de trabalhar, consumir e pagar contas, quando acordo, vou me dar conta: foi nisso que me transformei? Não há supermercado de vida.”

mujica e pedro bial
Foto: TV Globo

Aos que acham que ele faz tipo por cultivar a simplicidade, ele ainda deixa um recado: “Podemos ser felizes com pouco. Não faço apologia da pobreza. O que faço é a apologia da sobriedade. Aprender a viver sem ser escravo, sobretudo na política.”

Interessado no português de Bial, Mujica destaca ainda o carinho pela língua. “Português é um castelhano mais suave, mais doce.” E não deixa também de falar da política brasileira. “Temos que falar do Brasil. Ele está doente.”

Clique no link para assistir a entrevista completa: https://globoplay.globo.com/v/5850201/programa/