Vídeo: Marido de confeiteira morre e cliente invade velório para cobrar entrega de doces

Um momento de sofrimento e despedida de uma família em Campo Grande acabou gerando uma grande confusão. A confeiteira Dayane Cristina Bernardino, 32 anos, havia acabado de perder o marido, quando uma cliente invadiu a capela onde acontecia o velório, exigindo que ela lhe entregasse doces encomendados para uma festa naquele dia. O caso ocorreu no último sábado (21). “Eu fechei um pacote com uma cliente há alguns meses, ela me deu a entrada, R$ 200, que é 50% do valor total. Dia 15, meu esposo sofreu um problema de saúde, foi internado. Na sexta-feira me deram a notícia da morte dele, eu entrei em desespero, tive que cancelar todas as entregas”, conta. Daiane tinha dez encomendas para entregar e diz que avisou todas as clientes sobre o que havia acontecido.

“Dois dias antes uma das clientes tinha me ligado para saber se eu iria entregar os doces, ela sabia que meu marido estava doente. Eu disse que sim, que tinha uma ajudante para finalizar, mas quando recebi a notícia da morte dele fiquei sem chão, não consegui”, explica a confeiteira.

Foto reprodução

A mesma cliente que ligou antes da morte do marido de Dayane entrou em contato no sábado. “Eu estava no velório do meu marido e, por telefone, ela exigia que eu entregasse os doces. Depois começou a pedir para eu depositar o dinheiro que ela havia pago, mas queria R$ 280 ao invés de R$ 200. Eu não tinha como depositar naquela hora, nem tinha como pagar a mais. Falei que se ela quisesse passar no velório para pegar os R$ 200 poderia passar”, diz.

A cliente foi ao velório, e lá mesmo teria iniciado uma discussão com a confeiteira e familiares. “Ela foi de uma desumanidade cruel, horrorosa, falou barbaridades, coisas absurdas. Disse que ia me processar, chegou filmando, aos gritos dentro da capela, dizendo que eu não era profissional, que eu tinha que ter avisado ela que meu esposo ia morrer. Como? ela gravou meu esposo no caixão, foi horrível”, relembra.

Diante da situação, familiares da confeiteira se exaltaram. Houve uma briga entre uma prima de Dayane e a cliente. A mulher deixou o local aos gritos. Dayane diz que registrou um boletim de ocorrência por impedimento e perturbação de cerimônia funerária junto a Polícia Civil. “Eu acho que isso é um monstro, não é uma pessoa, ela não respeitou em nenhum momento a minha perda. Trabalho há quatro anos com isso, outras nove clientes que eu tinha foram compreensivas, estou devolvendo o dinheiro de todas, dentro das minhas condições estou pagando, só ela fez isso”, comenta.

“Cobradora” se explica

A mulher que teria invadido um velório após não ter os doces entregues para a festa de aniversário do filho afirma que foi vítima de uma cilada. “Me chamaram de vagabunda, me chamaram de vários nomes. Eu fui até lá para receber o dinheiro para pagar para outra doceira e ela não queria depositar, se eu quisesse era para eu ir lá”, conta. Ela pediu para não ser identificada, pois seria conhecida e de classe média.

O caso foi contado pelo TopMídiaNews e levantou a questão sobre o cliente ter ou não sempre razão. Para ela, essa é uma justificativa. “Claro que sim, meu amor. Por que não depositaram o dinheiro? Por que me fizeram descer lá? Eu estava filmando e, mesmo assim, me agrediram, mas eu não filmei o caixão do marido dela, filmei ela. Me arrependo de ter ido lá porque, se eu imaginasse que ela ia fazer tudo isso, eu teria mandado ela sentar no dinheiro. Eu sou uma pessoa de classe média, não sou baixa que nem ela”.

A mulher confirma que pediu para que ela pagasse R$ 280 e não os R$ 200 iniciais. “Eu contratei o serviço dela e, uma semana antes do aniversário, o marido dela teve sei lá o quê. Eu liguei para saber se ela ia dar conta e ela garantiu que sim. Essa festa foi planejada há dois anos, e não era só R$ 200, era o sonho de uma pessoa. Ela me disse que tinha uma funcionária ajudando e todos os pedidos seriam entregues. Quando foi de manhã, eu pedi para antecipar o pedido, quando foi 21h ela ligou falando que o marido morreu. Eu falei que entendia, que ela estava de luto e ia velar o marido, mas ela me disse que ia entregar os doces porque tinha uma funcionária. Ela me deu a palavra e depois me disse que não ia abrir a porta da casa para uma estranha trabalhar, mas era a funcionária dela”, afirmou.

A cliente afirma que ofereceu a própria casa para que os doces fossem feitos. “Ela disse que devolveria o dinheiro e não faltavam nem 24h para a festa e eu estava gastando R$ 8 mil na festa. Um sonho. E foi aí que eu fiz uma postagem no Facebook e não mencionei o nome de ninguém. E se ela estivesse tão preocupada com o marido dela, ela ia olhar Facebook? E ela foi e comentou que eu era sem coração, mas não disse que tinha me garantido os doces”, afirmou mais uma vez, justificando que fez a postagem porque estava preocupada com a festa do filho. “Ela destruiu um sonho, ela poderia ter tomado outras atitudes. Eu desci filmando porque ficaram me xingando e meu celular caiu no chão quando eu fui agredida e o vídeo se apagou”, conta. Ela garantiu que vai fazer um boletim de ocorrência contra a doceira e contra a mulher que a agrediu.

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