Vídeo mostra corre corre e desespero após queda de brinquedo em parque

Acidentes em parques de diversão tem se tornado cada vez mais comum no Brasil e está começando a preocupar autoridades. Um vídeo gravado pela cabeleireira Alessandra Rosa Souza mostra o momento exato do acidente com um brinquedo Twister, que deixou 13 feridos no Parque Mutirama, em Goiânia (GO). As imagens mostram a mulher dando risadas ao lado de uma menina e, em seguida, é possível ouvir gritos de pânico após o brinquedo se chocar com o chão.

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A cabeleireira disse que o equipamento acelerou e parou bruscamente. Ela estava com a filha e duas amigas. “O brinquedo não estava parando, e ele começou a rodar muito rápido e muito alto. Ao invés de circular assim [na horizontal], ele começou a girar como uma roda gigante. Foi a hora que ele chocou no chão, e nós ficamos dependuradas”, contou. O acidente ocorreu por volta das 13h30 de quarta-feira (26). Após o ocorrido, o brinquedo foi isolado para perícia e o parque foi interditado pelo prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB). Assista o momento do acidente:

Segundo o diretor do Instituto de Criminalística, Rodrigo Medeiros, a estrutura que sustenta o brinquedo partiu ao meio. Metade das cadeiras bateu no chão e o restante ficou suspenso.

“Se o eixo estivesse intacto, ele resistiria todo o peso do equipamento, sem dúvidas. E é isto que vai ser avaliado, como ele estava no momento em que houve o rompimento. É um diâmetro de cerca de 16 centímetros. A composição deste material também vai ser avaliada, para saber se ainda tinha resistência para continuar em funcionamento”, disse Medeiros. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), inicialmente 11 pessoas foram atendidas no local. No entanto, ao chegarem às unidades de saúde, outras duas mulheres que acompanhavam vítimas perceberam escoriações e também foram atendidas.

jpEL3oLOs feridos foram encaminhados para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e Centro de Referência em Ortopedia e Fisioterapia (Crof). De acordo com o boletim médico divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Hugol, os três paciente que foram encaminhados para a unidade receberam alta. A reportagem entrou em contato nesta manhã com as demais unidades de saúde e aguarda o estado de saúde atualizado dos feridos no acidente.

No Hugo, até o início da noite de quarta-feira, uma menina de 9 anos tinha estado de saúde grave e estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Já um homem de 49 anos tinha estado regular e passava por reavaliação. Ainda na mesma unidade, uma mulher de 56 anos tinha estado grave e passava por cirurgia na perna. Imagens mostram gritaria segundos após acidente:

‘Tragédia Anunciada’

O delegado Isaías Pinheiro, titular do 1º Distrito Policial de Goiânia, que apura o caso no Parque Mutirama, afirmou nesta quinta-feira (27) em entrevista à TV Anhanguera que vai começar a ouvir depoimentos sobre o acidente. Segundo ele, a partir dos trabalhos preliminares, é possível dizer que o caso foi uma “tragédia anunciada”. “Foi solicitada uma perícia no local. Esta perícia é demorada, antes mesmo dela vamos ouvir as pessoas que estavam no local, os funcionários, os frequentadores, e depois as vítimas, pra gente saber se houve crime naquele evento. Pelo o que a gente percebe ali era uma tragédia anunciada, ou seja, equipamentos velhos, o poder público nunca tem a manutenção ideal, e o que nós temos que verificar ali são as responsabilidades”, afirmou.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) informou por meio de nota que “seus agentes fiscais realizam, anualmente, vistorias em parques de diversão em todo o Estado de Goiás”. O órgão destaca que, na última vistoria do Mutirama, realizada no dia 26 de janeiro deste ano, “foi constatada a inexistência de profissional da engenharia responsável pela manutenção dos equipamentos eletromecânicos”.

Diante da constatação, o Crea-GO esclarece que notificou a Agetul para que apresentasse o responsável, o que não foi feito. O capitão dos bombeiros Patrick Nowak afirmou que a documentação relativa às inspeções dos bombeiros estava em dia. “Quando a gente faz a nossa inspeção nos locais de aglomeração de público, a gente pega a anotação de responsabilidade técnica de um engenheiro, que avalia e fala que o brinquedo está ok para ser usado durante certo tempo. Nesse caso, o Mutirama possui todos esses documentos”, afirmou.

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No entanto, após o acidente, o documento passou a ser inválido e será necessária nova inspeção. “Como houve o acidente com o brinquedo, esse termo de responsabilidade técnica que estava com validade é desconsiderado. Nós interditamos o Parque até a apresentação de novos documentos falando da funcionalidade legal do brinquedo”, esclareceu. Um documento mostra que o brinquedo passou por uma inspeção ainda na quarta, que apontava que todos os quesitos estavam dentro da normalidade. Porém, no mesmo não consta a assinatura de técnico mecânico.

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Conforme apurou a TV Anhanguera, há uma inspeção diária nos aparelhos do Parque Mutirama. No entanto, problemas que podem ter causado o acidente não são visíveis a olho nu. Para constatá-los, seria necessário um raio X da máquina. Esse teste não seria feito no brinquedo há cerca de cinco anos. Não há informações sobre a data de fabricação do brinquedo. Conforme administração do Mutirama relatou à TV Anhanguera, o equipamento foi reformado pela última vez em 2012. A promotora Leila Maria de Oliveira afirmou que a empresa responsável pela reforma no equipamento não comprovou habilitação técnica para prestar o serviço. Portanto, o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) entrou com uma ação, na época, mas que ainda não foi julgada. “Nessa ação, além de ser questionada a licitação, um superfaturamento, questionava a questão da empresa não ter certificado de habilidade técnica para colocar esses brinquedos em funcionamento”, pontuou. // TV Anhanguera.

 

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