Wagner e Aécio trocam farpas diante de plateia de empresários

340x255_wagner-aecio_1410345O governador Jaques Wagner (BA) evitou falar, diretamente, em nome da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvos de críticas do pré-candidato a presidência da República, Aécio Neves (PSDB), porém classificou de “hipocrisia” a fala por “clichês” adotados pelo tucano, ao particpar nessa sexta-feira, 2, do Fórum de Empresários na Ilha de Comandatuba.

“Não vou defender o presidente Lula ou a presidente Dilma. Eles farão as próprias defesas no momento certo. Mas não vamos vender ilusão. Se alguém tivesse todas as respostas, estaríamos em outro país”, disparou Wagner. A presidente Dilma foi convidada a participar do seminário “Uma agenda para o desenvolvimento do Brasil”, na 13ª edição do Fórum de Comandatuba, porém declinou o espaço para enfrentamento dos dois principais adversários, Aécio e o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Segundo o governador da Bahia, é “mentira” afirmar que o estado pode ser gerido como uma empresa da iniciativa privada. “Ferramenta de gestão não tem ideologia e não tem caráter partidário. Não vamos abominar a política com esses clichês”, rebateu Wagner.

Tendo como alvo o senador mineiro, o governador baiano citou que Minas Gerais é um dos estados beneficiados com a política tributária do Brasil, especialmente no comércio eletrônico. “Vamos parar de hipocrisia. Quando se fala em reforma tributária, estamos falando em divisão do bolo. E para fazer essa reforma tributária é preciso passar pelo Congresso”, ressaltou o Executivo baiano.

Disposição

A resposta de Wagner foi às duras críticas feitas por Aécio, inclusive sobre uma eventual falta de empenho do governo em debater e votar a reforma tributária. Rebatendo, indiretamente, a fala do governador baiano, o pré-candidato do PSDB foi simplista. “Quando a candidata do PT se dispor a sentar conosco e debater o Brasil, a discussão vai acontecer”, sugeriu o tucano.

Pouco depois o governador Jaques Wagner provocar o pré-candidato a presidente da República Aécio Neves (PSDB) sobre a importância do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) para a estabilidade econômica do Brasil, o tucano ironizou a fala de lideranças petistas. “Diferente de alguns, não acho que o Brasil foi descoberto a partir de 2003. O Brasil é uma construção de muitas gerações”, defendeu Aécio.

“Eu tenho uma divergência profunda em relação ao modus operandi, a forma de governar daqueles que estão no poder. O setor público não precisa ser ineficiente”, criticou o tucano. Para ele, os pilares da macroeconomia, um avanço da gestão de FHC, e a unificação dos programas sociais pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão sob ameaça pela condução política da presidente Dilma Rousseff (PT). “Nós compartilhamos uma profunda preocupação com a fragilização de boa parte dessas conquistas”, sugeriu o pré-candidato do PSDB.

De acordo com Aécio, as discussões realizadas atualmente estão atrasadas – uma “década perdida” na avaliação do tucano. “Nós estamos voltando a uma antiga agenda, a agenda da estabilidade, entre tantas outras”, reclamou. “Não se faz um país crescer sem investimentos e não se faz investimentos num país que não respeita regras. Hoje nós somos vítimas desse excesso de intervencionismo”, atacou o tucano. “Essa eleição é uma oportunidade de olharmos para o futuro”, completou.

A TARDE