Bahia é o segundo estado com maior número de assaltos a agências bancárias no Brasil

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    Bandidos audaciosos, falta de segurança e níveis de criminalidade cada vez mais acentuados na Bahia têm facilitado o roubo de agências bancárias em Salvador e no interior do estado. Enquanto o Sindicato dos Bancários na Bahia (SBBA) reclama de falta de investimento na área de segurança, a Federação Nacional de Bancos (Febraban) defende-se. Entretanto, segundo as estatísticas divulgadas nesta semana, o número de ataques a bancos cresceu cerca de 55,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

    De acordo com dados divulgados pela SBBA, somente neste ano foram registradas 126 ocorrências envolvendo as instituições bancárias. Do total de ataques, 100 aconteceram no interior e 26 em Salvador. Em entrevista ao Metro1, Adelmo Andrade, diretor de Imprensa e Comunicação do SBBA e funcionário do banco Santander, informou que a Bahia perde apenas para São Paulo no número de ocorrências. “O estado proporcionalmente pode ser até o primeiro lugar em estatística negativa de ocorrências policiais, como por exemplo arrombamentos de caixas eletrônicos, saidinha bancária, sequestro de funcionário, de gerente, de tesoureiros… A gente identifica que tem uma relação direta com a falta de compromisso das agências bancárias em investir mais em segurança”, denuncia.

    Lideram a lista o número de arrombamentos e explosões. São 66 registros. Já os assaltos somam 39, sem contar com as tentativas frustradas que chegam a 21. A instituição financeira mais atingida é o Banco do Brasil com 77 ataques. Em seguida, aparece o Bradesco, com 22. As demais organizações financeiras totalizam 27 casos.

    “Nós temos hoje a lei 7.102/83 que é muito tímida e obriga muito pouco os bancos investirem em segurança. Então, precisamos que ela seja reformulada, que seja mais severa por que se trata de vidas, é a vida dos clientes e dos funcionários”, ressalta.

    Planos de segurança

    Segundo o sindicalista, todos os anos, tanto na campanha salarial da categoria como fora dela, os bancários realizam mesas temáticas, onde há um debate sobre segurança com os bancos. “Sentamos à mesa e levamos propostas que visam diminuir o número de ocorrências, como a criação e colocação de biombos para um atendimento individualizado, maior investimento em colocação de câmeras de segurança, modificação no modelo das agências, retirando essa porta giratória do meio do estabelecimento e trazê-lo para a entrada…”, aponta.

    Outra proposta que vem sendo reivindicada pelos bancários é a realização de transferência de altos valores. A categoria reivindica que o serviço deva ser realizado diretamente no autoatendimento para que, assim, o cliente não precise sacar o dinheiro e se dirigir a outra unidade bancária. Entretanto, Andrade aponta que os bancos negam qualquer tipo de negociação a respeito do assunto. “Os bancos, por sua vez, negam qualquer tipo proposta, acham que está tudo bem, que o que eles investem é muito e a gente comprova através de números que eles investem muito pouco”, argumenta.

    Interior do estado

    No interior do estado, há cidades em que o efetivo policial é insuficiente diante de uma quadrilha fortemente armada, segundo Andrade. “Uma quadrilha chega fortemente armada, com vários carros, com cerca de 15 a 20 bandidos. Às vezes, o efetivo policial da cidade não chega a isso por que a dimensão territorial do estado é muito grande, são muitas cidades, muitas agências bancárias. Existe cidade bem policiada, mas também existe cidade que precisa melhorar”, denuncia.

    Ao contrário da afirmação de Andrade ao Metro1, o coordenador do Grupo Avançado de Repressão a Crimes Contra Instituições Financeiras (Garcis), Daniel Pinheiro, disse que há um estudo para a colocação de equipes policiais na cidade. No entanto, ele concorda que a dimensão territorial do estado prejudica a ação dos policiais. “Todas as ações contra instituições financeiras vêm sendo acompanhadas pelas Polícias [Civil, Militar e Federal]. Quando um caixa é alvo da ação dos bandidos, começamos as investigações para a identificação dos suspeitos”, explica.

    Segundo Pinheiro, houve uma queda de 50% nos crimes em relação ao mês de outubro de 2011. “Temos contado com a ajuda da Polícia Militar e conseguimos baixar os índices de violência, como, por exemplo, em outubro de 2011, tivemos oito explosões de caixas eletrônicos, já em outubro de 2012, aconteceu apenas três” exemplificou.

    Febraban responde

    Em contato com o Metro1, a Federação Nacional de Bancos (Febraban) informou que o investimento em segurança dos bancos cresceu de forma significativa nos últimos anos em todo o país. De 2002 (R$ 3 bilhões/ano) até 2011 (R$ 8,3 bilhões) houve um aumento de 62,4% em termos reais. O número de agências e postos também cresceu cerca de 26% (de 27,2 mil em 2002, para 34,2 mil em 2011).

    Ainda segundo a Febraban, esses investimentos, aliados a uma série de medidas preventivas, como cofre com dispositivo de tempo, redução do numerário nas agências e o estímulo a transações eletrônicas, resultaram na diminuição do número de assaltos a banco em todo o país ao longo dos anos. Segundo os dados da federação, os assaltos diminuíram 78%, de 1.903 no ano 2000, para 422, em 2011.

    Questionados em relação à Lei Federal nº 7.102/83 e sua regulamentação, a Febraban explicou que cabe aos estabelecimentos bancários (agências e postos de atendimento) entregar à Polícia Federal um plano de segurança para que possam funcionar. Esse plano de segurança é elaborado por equipes técnicas e profissionais que analisam todas as características de cada ponto de atendimento, tais como localização, fluxo de pessoas, layout da agência, etc.

    Aprovado o plano, são instalados todos os equipamentos de segurança e mobiliário da agência, como os caixas, os caixas eletrônicos, o posicionamento das câmeras de segurança e as portas de segurança. Observando-se o que é exigido pela legislação, cada instituição financeira determina os padrões de segurança para suas agências de acordo com as características de sua rede de agências.

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