Dançarina de Anitta se revoltou com piada racista de Faustão sobre seu cabelo

dacaA dançarina Arielle Macedo se pronunciou sobre a polêmica em torno de uma piada racista feita por Fausto Silva com seu cabelo durante o “Domingão do Faustão”, da Rede Globo, exibido no último domingo (20). Em seu Facebook, a dançarina afirmou ter ficado ofendida com a postura do comunicador.

“Sobre o episódio do Faustão, fico muito feliz pelo carinho. Se me ofendi? Claro. Apelidos são o que mais recebo por aí. O racismo sempre vai existir. Ele se fortifica quando nos sentimos ofendidos”, desabafou ela. A mensagem foi apagada logo depois. Nas redes sociais, surgiram rumores de que a dançarina teria sido pressionada a não comentar sobre o assunto.

Em nota, a Central Globo de Comunicação informou que o apresentador não teve a intenção de ofender a bailarina. “Durante todos esses anos, seu programa ajudou a divulgar campanhas e ações pautadas na ética, na promoção e no respeito à diversidade. E sempre repudiou qualquer ato de racismo ou discriminação”, dizia o comunicado. O apresentador deve se pronunciar sobre o assunto no programa que será exibido neste domingo (27).

Entenda o caso
O fato aconteceu durante o quadro “Arquivo da Entregação”, em que conhecidos de Anitta entregavam casos constrangedores envolvendo a cantora. O comunicador se referiu a Arielle Macedo, uma bailarina negra, como aquela que tem “cabelo de vassoura de bruxa”.

O grupo de ativistas “Cacheando em Salvador” postou uma resposta em sua página no Facebook. ”Não aceitamos mais que nos seja imposto os padrões eurocêntricos de beleza! Não iremos tolerar que racismo seja reproduzido em nenhum ambiente e em grande mídia então. Não aceitaremos mais que nos ‘eduquem’ para sermos racistas!”, escreveu.

Já a blogueira Ana Eufrázio lembrou do caso de uma escola que ameaçou expulsar uma aluna por usar cabelo black power e publicou em seu blog um texto que trata da estereotipamento da beleza feminina.“A mulher negra, que já sofre a estigmatização por sua cor, por sua condição de mulher, tem sua beleza negada por ter o cabelo crespo e acaba por tornar-se refém do mercado da beleza. O cabelo enrolado é apenas um dos aspectos do negro que “precisa” ser negado ou desconstruído. O mecanismo de supressão de identidade é uma estratégia ideológica que não só tem a finalidade de oprimir, de segregar e dominar, como também impede que o negro dispute em condição de igualdade com branco as oportunidades de ascender socialmente”, publicou. (Varela Notícias)