Em Monte Santo e Nordestina, comunidades relatam desrespeito à sua forma de vida

A equipe da CPT (Comissão Pastoral da Terra) Centro-Norte realizou, durante os dias 25 e 28 de abril, mais um mutirão comunitário, passando pelas comunidades de Mandacaru, Paredão, Caldeirão do Cardoso, São Gonçalo, Flores, Bento, Monte Alegre, Maravilha/Boa Esperança, Serra do Bode e Xique – Xique/Cacimbas. Comunidades estas tradicionais de fundo de pasto e assentamentos, em Monte Santo,  e comunidades quilombolas, ribeirinhas e impactadas pela mineração,  em Nordestina.  As  entidades: ARESOL, MPA, Central dos Fundo e Fecho de Pasto e  as paróquias de Monte Santo e Nordestina também participaram das atividades.

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As equipes passaram nas comunidades e encontraram realidades gritantes. Trabalhadores e lideranças foram mortos e ameaçados, áreas que estão sendo desmatadas para vendas ilegais de madeiras de lei, com queimadas e outros tipos de agressão ao meio ambiente, comunidades quilombolas sofrem com os descasos, grileiros tentam banir os posseiros das suas terras, onde nasceram, cresceram, e vivem com as suas famílias. Realidades de injustiças, nas quais  delegados e juízes fingem não ver, mesmo com denúncias sobre a  mineração que maltrata a terra e o seu povo, destruindo a caatinga.  Um problema comum  todas as comunidades visitadas  é a prática de fazendeiros que invadem com seu o gado as áreas do fundo de pasto das localidades.

Durante as visitas, comunidades ribeirinhas, próximas ao rio Itapicuru em Nordestina, onde pequenos proprietários, e principalmente as mulheres desenvolvem trabalhos com hortas, falaram do problema da água do rio que ficou salgada e mata inclusive as plantações. Outro problema apontado pelas comunidades tem relação com a mineradora Lipari, que  retira a água do rio, em decrescente  volume hídrico. Ainda existe a preocupação pela retirada da água do rio que a empresa realiza, e o consequente assoreamento do Itapucuru. A mineradora está instalada no território quilombola, a poucos quilômetros das residências das famílias principalmente na comunidade de Lagoa dos Bois, Nordestina, onde, além da poeira e transtornos com o tráfego na estrada que dá acesso à mina por dentro da comunidade,  elas sofrem com as detonações da mineração e o barulho durante toda a noite.

Há, segundos os/as  moradores/as,  grave interferência dentro da cultura de matriz africana, por conta da presença de igrejas que não compreendem a religiosidade afro-brasileira  e massacram as pessoas que sempre respeitaram e viveram essa cultura. Além disto, em muitas comunidades quilombolas, que vivem realidades de pobreza, abandono e oportunismo de políticos do município, as comunidades têm pouca informação e necessitam fortalecer suas formas de organização para a conquista dos seus direitos.

Os desafios são enormes, mas a força e a esperança do povo mostram o caminho de uma organização em busca da vida na terra prometida, onde corre leite e mel.

Equipe da CPT Centro-Norte.