EDITORIAL ANO IV NÚMERO 210 – VOTO: ENTRE O MODERNO E O MEDIEVAL

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Agenor 1Urna eletrônica e Membros da Missão da OEA

Difícil não pensar em fazer algumas breves considerações sobre o quadro pós eleições do dia 15 de novembro último. Ainda que o resultado tenha apresentado variados contextos e múltiplas reflexões de parte a parte, o importante é que ele culminou com a expressão maior da vontade do eleitor, seja de promover eventual mudança radical no comando de cada município, seja de aprovação e reconhecimento de boas e eficientes gestões.

Nesse particular, impossível não registrar o exemplo bem próximo e de grande significado das cidades vizinhas e coirmãs de Juazeiro-BA e Petrolina-PE, representado, respectivamente, pela importante vitória da primeira mulher Prefeita do Município, a Assistente Social Suzana Ramos, 54, (PSDB), com 55,68% ou um total de 64.229 votos, e a reeleição do Prefeito de Petrolina, o jovem Dr. Miguel Coelho, 30, (MDB), com 121.300 votos, ou 76,19% dos votos válidos, incluído, assim, no rol dos maiores vencedores desse pleito, em todo o Brasil.

Não são resultados atípicos porque caracterizam a mais legítima avaliação feita pelo eleitor, no exercício e afirmação do seu inalienável direito à prática do voto secreto, momento decisivo em que todas as barreiras são rompidas e a vontade do seu íntimo é consolidada. Ou seja, naquela hora o eleitor tem uma força descomunal que nem todo político imagina. Diga-se, de passagem, que muitos ainda insistem em desconsiderar esse poder e, quando isso acontece, tomam na cabeça!

Um detalhe que não pode passar despercebido no recente pleito é o fato de que os apelos ideológicos foram visivelmente desprezados em nível nacional, seja de fidelidade à Esquerda ou à Direita, em muitas capitais e cidades de ampla representatividade eleitoral. Até mesmo o exaltado apoio de um Presidente da República cujas pesquisas de popularidade e aprovação dizem estar com índices elevados, não repercutiu favoravelmente em benefício de alguns nomes. Isso prova que, na eleição municipal, o povo se concentra nos problemas que afligem o seu dia a dia e não ouve quem quer que seja.

Basta citar as duas mais importantes capitais do país, Rio de Janeiro e São Paulo, onde o Ex-Prefeito Eduardo Paes teve 37,01% dos votos válidos no RJ, contra 21,90% do atual Prefeito Crivella, indo para a decisão no 2º. Turno. Enquanto isso, em S. Paulo o Deputado Celso Russomano, inicialmente à frente nas pesquisas para Prefeito da capital, terminou em 4º. lugar e o candidato do PT Jilmar Tatto em 6º. lugar. Uma realidade concreta ou mera coincidência que ambos os candidatos, nas duas capitais, não vencedores no 1º. Turno, tinham o apoio da marca Bolsonaro?

Para quantos acompanharam e ainda acompanham a indecisa eleição recente nos EUA – porque ainda não teve finalização –, e compara aquele sistema com a Urna Eletrônica brasileira, somente tem elogios à rapidez e segurança do nosso processo.

Um país de Terceiro Mundo que realiza uma eleição em 5.570 municípios e na noite do mesmo dia já apura os resultados globais e as comemorações já acontecem, sem que qualquer fraude ou irregularidade seja levantada, além de ser motivo de aplausos da Missão especial da OEA que veio acompanhar e avaliar o seu funcionamento (vide fotos), deve merecer o devido respeito pela eficiência que o modelo representa perante as demais nações. Não tenho dúvidas que muitas Fake News produzidas por derrotados irão surgir tentando desmoralizar essa opção brasileira que, jamais, deixará de ser alvo dos hackers criminosos. Lembrar que entraram nos computadores até da NASA!

No comparativo entre os sistemas do passado e do presente, custo a acreditar que o Presidente da República tenha manifestado o desejo de encaminhar Projeto ao Congresso Nacional para a volta do voto em cédula impressa! Pensar na volta ao passado é um retrocesso cultural impensável, ou melhor traduzindo, será um conflito ENTRE O MODERNO E O MEDIEVAL! E podemos ser até mais contundentes: seria a maior e mais imbecil das atitudes contra uma das poucas referências que temos hoje perante o mundo.

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Agenor Santos

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – de Salvador – BA.  

 

Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade – 22/11/2020

Comentários

4 COMENTÁRIOS

  1. É isso aí Agenor, você comparou bem os sistemas eleitorais e modificar o nosso sistema atual é uma temeridade, lembre-se que estamos no Brasil e os políticos nem sempre raciocinam direito. (Camamu-BA)

  2. Realmente, o Brasil – no particular- dá um magnífico exemplo ao mundo. Eficiência e confiabilidade não se conquistam com promessas, mas sim com capacidade administrativa. A propósito do enfoque sobre suposta pretensão do atual presidente em fazer voltar a “medieval” opção pela cédula, dele pode-se esperar qualquer asneira, até porque, ao seu modo de agir, o sistema de cédula atenderia a suas futuras pretensões. Assim vejo a questão, embora acreditando mais na lisura do Congresso Nacional. Retrocesso? Vade retro… (Salvador-BA).

  3. O cronista está correto, não podemos abrir mão do nosso processo eleitoral, exemplo para o mundo. Mas devemos aperfeiçoar e sinceramente acredito que deva existir um protocolo do voto on-line, para futura consulta pelo eleitor. Assim poderíamos efetuar a verificação do nosso voto pelo aplicativo liberado pelo próprio TSE. Lembro que a preocupação não é no momento do voto, mas nas apurações onde realmente existe a possibilidade de manipulação se considerarmos as possibilidades tecnológicas. Evoluir é necessário, e por que não ate ser permitido o voto pelo celular? Sendo desnecessária a presença física. Lembro que o aplicativo pode dar esta opção, e a questão do sigilo é inerente ao uso do aplicativo. Afinal, se digitamos nosso voto na urna, por que não no celular? Enfim, considero importante uma evolução. Pois concordo que no processo atual podem sim existir dúvidas sobre fraudes, tecnicamente falando. Bancos de dados são manipuláveis. E a consulta individual posterior acabaria com esta dúvida. FOZ DO IGUAÇU

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