EDITORIAL ANO IV NÚMERO 218 – ENTRE AS REDES SOCIAIS E O BRASIL REAL

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É surpreendente ver como o mundo das controvérsias políticas e ideológicas mexe com o equilíbrio e a capacidade de avaliação das pessoas, principalmente quando essas estão afetadas por um sentimento mais sectário, que não permite aos demais uma visão crítica independente. Entendo a direita e a esquerda, ambas, tem algo em comum: não gostam de ler, ouvir e conhecer a verdade. Não sabendo eles que o texto bíblico nos ensina: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A verdade é que a Esquerda vive um desterro político pós Lava-Jato de extensão ainda não imaginada, além de não ter se renovado. E, do outro lado, dona Direita sempre vaidosa, e algumas vezes, malvada e mal falada.

Ora, é tão difícil assim para alguém admitir um ponto de equilíbrio numa análise política, de acordo com o desempenho e atitudes de quem está no Poder, no momento de uma reflexão mais pragmática dos fatos e ações do Governo? Para mim é indiferente se quem está no Poder é de Esquerda ou Direita, uma vez que aqui já elogiei e critiquei ambos os segmentos ideológicos. Tão pouco pretendo ser dono da verdade, e sim promover algumas considerações sobre quem quer que esteja ganhando o meu e o seu dinheiro para bem nos representar.

O que não é concebível é romper princípios para ser solidário a erros cometidos por governantes que, seduzidos pela força que o Poder oferece, praticam asneiras e decisões insensatas, que só envergonham aqueles que os elegeram. Bato palmas para Deputados e Senadores do Partido Republicano, dos EUA, que tiveram a dignidade de reprovar o incitamento à violência praticado pelo Presidente Trump aos seus apoiadores para que invadissem o Capitólio, ou Congresso americano. Inclusive, 10 Deputados Republicanos votaram a favor do seu impeachment!

Do lado de cá, pensávamos que tínhamos nos livrado dos tempos da Dilma Rousseff-PT, com as suas frases folclóricas e hilárias, maltratando a todo instante a língua portuguesa. Mas, embora não incorra em erros linguísticos, o Bolsonaro comete o absurdo de emitir conceitos vazios, sem nexos e com ar quase sempre debochado, invocando a ideia de um despreparo inimaginável para alguém no cargo que ocupa. Por exemplo:

– Pretendeu decretar: “O fim dos radares móveis nas rodovias”;

– Disse: “O vírus tá aí, vamos enfrentar como homem, não como moleque”;

– “O brasileiro tem de ser estudado, ele não pega nada; mergulha no esgoto e não

morre”;

– Sobre a eficácia da vacina da Pfizer: “Se você virar um jacaré, é problema seu”;

– 2,0 milhões de mortos no Mundo e quase 210,0 mil no Brasil, e ele diz: “Tá com

medinho de pegar o vírus?”. Um tremendo desrespeito!

– Inúmeras provas de insegurança e indecisões ao anunciar medidas sem previa reflexão,

que são logo canceladas um ou dois dias depois, ao longo dos dois anos de Governo…

Parece pouco – tem muito mais -, e alguns até dirão que são coisas insignificantes, mas impossível não acrescentar algo mais grave. Enquanto Estadistas do Mundo, e aqui Prefeitos e Governadores, estão dedicados nas providências para vacinar o povo, o Bolsonaro passeia de Iate num belo dia de sol e, de repente, pula ao mar cercado de seguranças e nada até a praia ao encontro de uma multidão. Imprudentemente, abraçou sorridente algumas pessoas e retornou ao iate. Populismo ridículo, e que não parece real, diante de uma crise sanitária da magnitude que o País está vivendo! O gesto parece mais voltado a exibir uma imagem de pré-candidato, antecipando, prematuramente, a eleição de 2022. À luz de tão maus exemplos, sugestivo é seguir o ditado popular: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”!

Concluo concordando com o colunista Josias de Souza, ao afirmar que “há dois governos em Brasília: o alternativo e o oficial. Num, Jair Bolsonaro comanda o departamento de efeitos especiais. Noutro, o ministro Paulo Guedes e sua equipe se esforçam para que não desande no Congresso a agenda sobre os problemas do Brasil real…”. Ou seja, uns empurrando para a frente e ele empurrando para trás!

Agenor Santos

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – de Salvador – BA.

 

Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade – 17/01/2021

Comentários

10 COMENTÁRIOS

  1. Meu prezado colega Agenor. De novo, você me agrada com a perfeita análise do desastrado desempenho de um indivíduo, acidentalmente, mal escolhido para liderar o Brasil. Só não concordo com a comparação feita em relação ao linguajar pouco formal da Dilma. Ao menos, ela jamais se reportou ao desprezo que o atual presidente tem pelo povo que o elegeu. E sobre este particular aspecto, ressalte-se que a “famosa acada” de Minas Gerais teve grande influência emocional no contingente de eleitores, além da estratégica fuga aos debates políticos, infelizmente patrocinados pela maioria da imprensa brasileira. Não esquecer da ação nefasta da Globo, em favor do hoje presidente do Brasil, perfil que, hoje, talvez caindo na real, se mostra absolutamente antagônico ao dito cujo.
    Ressalvado o aspecto Dilma retromencionado, novamente o parabenizo pelo conteúdo responsável de sua “Crônica da Semana”. Enquanto a vacina não vem (e você sabe por culpa de quem) aceite meu renovado abraço virtual. (Salvador-BA).

  2. Caro escriba,
    Vejo gostei da opinião, hoje com moderado equilíbrio de pesos. Quando vou (ou ia) comprar discos, vinil ou CD sempre o fazia tendo como indicativo a preferência por uma ou duas faixas que mais me agradavam. Ainda tenho meu toca-discos e leitor de CD. Vez por outra tiro a poeira dos discos e volto a ouvir aquelas faixas preferidas. Mas jamais joguei meus discos no lixo. Faço assim na política. Vez em quando encontro alguma “faixa” que sobreviveu… (Salvador-BA).

  3. Boa crônica. As atitudes do nosso presidente beiram a insanidade, se é que não a superam. O pior é que os poderes constituídos não tomam qualquer providência. Por uma única insanidade o congresso americano está decretando o impeachment de Trump, com votos dos próprios aliados.
    De outro lado temos o governador de São Paulo se aproveitando da situação para assumir a função de paladino da justiça, porém sem nenhuma ação prática.
    Aqui na Bahia tivemos um belo exemplo de união das correntes políticas para o bem da comunidade, resultando em efeitos muito visíveis e positivos. Enfim, estamos em uma situação sem final feliz previsto. (Salvador-BA).

  4. A sua crônica está recheada de temas para reflexão do cenário político nacional, trazendo observações balizadas no bom senso e isenção, buscando manter os Pratos da Balança da Justiça em equilíbrio, deixando de lado o peso das paixões e simpatias para evitar que entrem em desequilíbrio.

    Lembro ao nobre cronista que o Congresso Nacional (deputados e senadores), o STF, Governo federal, todos são remunerados pelo povo brasileiro. Portanto, possuem o dever de buscar, de forma independente, o equilíbrio entre os poderes, através do rigoroso respeito à atribuição e à independência entre eles. Observando que a prioridade das pautas é do povo brasileiro e não dos presidentes das casas legislativas, haja vista deve ser preservada uma política de estado como garantia de futuro melhor para nossos descendentes, deixando em segundo plano o ego ferido por ter sido alterada a regra do “toma lá dá cá” com indicação política dos ministérios. No mesmo sentido, vemos a grande imprensa na atualidade deixando de informar os fatos para interpretá-los no interesse de construir uma narrativa que possa prejudicar a imagem do presidente eleito democraticamente, nem que para isso faça o pais sangrar – fato nunca ocorrido com outros governos, levando o povo a indagar – será que o Bolsonaro tem razão? – o corte das verbas para publicidade do governo, tornou a imprensa raivosa e sem limites.

    Felizmente, o povo diante das demandas diárias e das redes sociais, passou a ter maior interesse por política, deixando de ir votar pela obrigatoriedade do voto, mas, em muitos casos, pela preocupação com o futuro do País. (Salvador-BA).

  5. Vou complementar a comparação com um dito que papai (Coronel Jerônimo) gostava, nos chamando à atenção pra gente não aprender nem repetir ou, como se diz nas redes, não repercutir: ” É tão ruim, tão fraco, tão besta, que o que diz não se escreve e o que escreve não se lê”. (Uauá-BA).

  6. A verdade é que temos um Governo de “faz de conta”. Quanto a políticos de esquerda e de direita, no meu conceito, todos os políticos são ambidestros. Eles vão para onde os ventos da ganância os empurrarem. Um fraternal abraço! (Maceió-AL).

  7. Parabéns pela irretocável correção da redação, como também pela escolha do tema, absolutamente oportuno e até necessário na quadra que ora vivemos. (Salvador-BA).

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