EDITORIAL ANO VIII NÚMERO 297 – “COMO OS TEMPOS MUDARAM!”

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Essa é uma frase por demais conhecida de tantos quantos têm o hábito de se reunir entre amigos para um agradável papo ligando o passado ao presente, ocasião em que após reflexões sobre um mundo de variados problemas, sempre surge um idoso experiente que resume a história, afirmando de maneira peremptória: “Como os tempos mudaram!”

Obviamente que essa afirmativa resulta do impacto provocado pela mudança de hábitos, atitudes e costumes ao longo do tempo, de um lado beneficiando o desenvolvimento educacional, social e cultural, e por outro desconstruindo e ferindo princípios morais e éticos de um povo. Tudo isso é uma grande verdade de que aconteceram mudanças na vida, e não foram poucas.

Nessa troca de ideias comparativas entre o passado e o presente tem grande impacto o desenvolvimento tecnológico, cujas transformações das máquinas e equipamentos de toda natureza, impressionam pela qualidade e velocidade como chegam. Carros e até aviões com alta tecnologia que já dispensam o próprio piloto! E o Drone que começou como um instrumento de brinquedo, usado até por adultos, hoje já integra o arsenal militar! Dias atrás um líder da Al-Qaeda foi morto por um míssil lançado sobre o local onde se encontrava, por um Drone que acompanhava a sua localização! Que o diga quem lutou nas duas guerras mundiais, e se valia da carabina e algumas armas simplórias, onde a coragem tinha mais potência do que o material bélico. Como os tempos mudaram!

Mas, o espectro de modernidades é muito mais amplo. Os extraordinários recursos da computação produzem efeitos, imagens e informações jamais imaginados. A inteligência artificial presente na identificação das pessoas no acesso aos ambientes de shows, conferências e estádios, pela simples identificação facial das pessoas, e a técnica do pagamento por mera aproximação, são conquistas de uma magnitude notável!

Se fosse enumerar e aqui registrar todas essas grandiosidades da moderna tecnologia, teria de dedicar um longo tempo e espaço, e não alcançaria o ápice de tudo… Resta-nos o prazer de poder desfrutar uma vida plena de criatividades em todos os níveis, fruto da fantástica inteligência humana. Isso é inegável!

Ao recordar a expressão exclamativa do idoso numa boa roda de papo – “como os tempos mudaram!” -, quero dizer que ela nem sempre tinha conexão com a sua surpresa ante os avanços acima apontados. O que mais chocava o nobre sentimento da criatura, era a percepção de que a índole do cidadão que ele conhecia do passado, estava profundamente abalada. E a realidade é que “Os bons tempos do fio do bigode”, que era o seu pensamento, não mais existiam. Esse tema, a propósito, foi objeto da minha crônica, com esse título, publicada em 27/10/2013, onde já dizia: “Ainda bem que a memória não permite que histórias tão pitorescas e que realçam as características de firmeza, caráter, dignidade e honradez de um povo, sejam levadas como pó pelos ventos do esquecimento e depositadas sob a penumbra implacável do passado, ou simplesmente deletadas. Elas precisam ser contadas para multiplicação do exemplo às novas gerações”.

Hoje as regras da moralidade e respeito a princípios ideológicos são violentadas a todo instante, superados pela sede insaciável do poder. A todo instante o cidadão e eleitor que se acostumou a admirar a liderança do seu partido pela postura de firmeza de pensamento e retidão política, é surpreendido por abruptos e chocantes desvios de rota.

Tem exemplo mais gritante na atualidade do que a debandada de Geraldo Alckmin, liderança e eterno candidato do PSDB para o colo do PT, pelo inaceitável desejo de Poder, numa Vice-Presidência? Ou, nesse caso, existe uma tendência sádica de levar sofrimento ao PT, visto que o seu apoio, acredito, nada somará à esquerda? A prova aí está, com uma candidatura que nas imagens mais parece um peixe fora d’água…

Tudo isso, pensado e refletido com seriedade, fortalece a convicção do nosso amigo idoso, quando diz: “COMO OS TEMPOS MUDARAM!”

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).

 

Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade – 14/08/2022

Comentários

8 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns, pelo brilhante artigo. Se todos pudessem e quisessem entender, prezado confrade Agenor Santos. Faço minhas as tuas palavras. (Nordestina-BA).

  2. Mais uma bela crônica.
    O fato é que nós precisamos manter viva a chama da moralidade e honradez, pelo menos nos círculos menores que participamos, com destaque para nosso núcleo familiar, onde devemos educar pelo exemplo.
    Aproveito para desejar-lhe um FELIZ DIA DOS PAIS, e parabenizá-lo por desempenhar tão bem este papel. Forte Tríplice Abraço. (Salvador-BA).

  3. Mais um editorial trazendo fatos e conteúdo para reflexões.

    Parabéns Agenor.
    Um excelente dia dos Pais para todos.

    Florisvaldo

  4. Quando o Banco lançou o Caixa Executivo criou-se um marketing a respeito. Uma velhinha reclamava da modernidade, pois no sistema antigo enquanto a burocracia trabalhava seu cheque, ela tinha tempo de escrever uma cartinha para o neto, usando tinta e papel do Banco. Agora ia direto ao Caixa onde sacava sem perda de tempo.

    Eu, em um curso de comunicação administrativa que fiz no Banco, conheci a figura do Mishima, um escritor e defensor das tradições do Japão, combatendo a ocidentalização e o desprezo às normas tradicionais. Ele, ao concluir um discurso às tropas japonesas, cometeu o suicídio (Harakiri). Eu concordo com o que você disse, pois em matéria de ética e lisura perdemos muito com a modernidade. No livrinho que escrevi sobre o BB (acho que te mandei um exemplar), conto a história do aumento que o meu chefe propôs para mim e que meu pai como Superintendente do Banco não aprovou, justamente porque eu era seu filho e entendeu que aquilo era para agradá-lo e não pelos meus méritos O Alkmin que você citou, em confronto político, em discurso, comparou o Lula ao criminoso que volta à cena do crime, fazendo referência à sua pretensão de voltar ao poder. Hoje, com a maior cara de pau, posa ao lado do “bandido” de ontem. A ética e a honestidade são artigos de luxo, pouca gente pode ter, no mercado atual. Ruy já dizia que o indivíduo chega a ter vergonha de ser honesto. No Japão, eu soube, os dois primeiros anos do ensino fundamental uma disciplina é prioritária e insistentemente ensinada: ÉTICA. Certa vez uma funcionária do BB em Tóquio pediu afastamento provisório. O Subgerente quis saber o motivo, pois ela era bem referenciada e não havia, aparentemente, motivo para o ato. Ela informou ao Subgerente que o pai dela havia sido denunciado por corrupção e, assim, toda a família estava suspeita (tradição) e era obrigação dela afastar-se até que o pai provasse a sua inocência. Aqui, qualquer atitude honesta é motivo para classificar seu autor de “bobo”. Em matéria de política, então, especialmente o PT(PROVA DISTO É A ALIANÇA COM ALKMIN) os fins justificam os meios. Bons políticos são marginalizados e até blindados em seus partidos, muitos já reclamaram que o líder nunca lhes permitia falar, defender uma ideia, pois os projetos corretos, decentes, eram sufocados pelo partido, não eram convenientes. Tudo é falta de ética, que parece ninguém mais querer ter, pois atrapalha. Parabéns e fraternal abraço. (Brasília-DF).

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