EDITORIAL ANO VIII NÚMERO 303 – A GUERRA DAS PESQUISAS

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É interessante como ao longo da vida nos familiarizamos com produtos que se incorporam de tal forma aos hábitos e costumes, e cuja marca de origem passa a identificar todos os demais produtos similares. É um privilégio mais que inusitado para o criador da marca, uma vez que são óbvios os resultados econômicos.

Quem em casa não se acostumou a ouvir a mãe pedir: “vai comprar Bom Bril”, mas ela queria dizer palha de aço; “traga leite Moça”, quando ela deseja o leite condensado; tirar uma fotocópia virou tirar uma Xerox, que é o nome da empresa que produz, entre outras coisas, a famosa máquina de fotocópia Xerox; Chicletes, marca criada pela Adams para dar nome ao produto “Goma de Mascar”. Quem deseja uma goma de mascar, inevitavelmente vai solicitar um Chiclete. Como esses, há muitos outros com a mesma fama, como o Band-Aid que é mais um sinônimo de curativo adesivo; o Durex, sinônimo de fita autocolante etc. Ou seja, nós sempre optamos pela forma mais fácil de identificar os produtos do nosso dia a dia.

Todas essas performances alcançadas pelos produtos acima citados, tanto podem estar vinculados à sua boa qualidade, como estar beneficiados por um bom trabalho de marketing comercial que assegura uma qualificação exponencial e convincente, que conquista progressivamente o gosto do consumidor. E é aí onde entra a presença forte do marketing.

Nesse universo em que vivemos, as qualidades e os defeitos podem ser mensurados para definir o grau da preferência do cidadão. Com isso, resulta que o fator pesquisa de opinião e de mercado se tornou um recurso fundamental, ampliado com o sistema de pesquisa de audiência televisiva, ou a preferência eleitoral.

Criado em 1942, o IBOPE-Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, empresa criada pela família Montenegro, notabilizou-se na área da pesquisa no Brasil e em mais 14 países latinos, ao ponto de a sigla da empresa ganhar uma grande reputação no Brasil, “como uma gíria e um verbete oficial como sinônimo de audiência e prestígio”. Quem já não ouviu por aqui se dizer que “isso não vai dar IBOPE” ou “seu IBOPE está ótimo!”? Com a venda da marca para outro grupo e a criação de outra empresa no mesmo ramo – IPEC-Inteligência em Pesquisa e Consultoria – a nova marca ainda não conquistou a mesma credibilidade. Se vai demorar um pouco ou não, quem vai dizer isso é a população.

Mas, o objetivo desse enfoque é ressaltar que a abundância atual de empresas de pesquisa eleitoral, sem uma referência básica de confiabilidade, além da divulgação diária de dados bem discrepantes entre uma e outra empresa, está materializando dúvidas e incertezas entre os eleitores brasileiros. Na proporção em que a consulta de preferência passa a ser encomendada por grupos partidários ou por setores da mídia escrita e televisada, de posições políticas bem claras e conhecidas, conclui-se que o resultado dos números divulgados pode estar manipulado e com intenções de subverter a avaliação dos indecisos.

Em face desse cenário em que a suspeição conquista espaço relevante, as surpresas quando do verdadeiro resultado das urnas podem surpreender a muitos, sejam aos eleitores ou aos próprios analistas políticos. Uma possível imperfeição dos números percentuais indicados nas pesquisas, diariamente, até as eleições, quando comparados com o resultado efetivo do pleito, para um ou para o outro candidato, pode produzir o indesejável e polêmico questionamento quanto à integridade das urnas! E quem será o culpado?

Diante da insinuação corrente quanto à possível existência de manipulação criminosa nessas pesquisas – hipótese que prefiro não acreditar -, significa dizer que algo não vai dar IBOPE nessa eleição! Quando a expressão plena e manifesta do eleitor vier à tona na noite do dia 2 de outubro, veremos ou não, se houve uma verdadeira Guerra das Pesquisas…

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).

 

Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade – 25/09/2022

Comentários

9 COMENTÁRIOS

  1. A grande quantidade de empresas que se propõe a fazer pesquisas, especialmente eleitorais, confunde a cabeça de qualquer eleitor, ou até mesmo dos candidatos que as contratam. Acredito que tem uma explicação, se compararmos aos meteorologistas. Você já viu alguma reclamação oficial quando eles (o homem ou a mulher do tempo) erraram na previsão? Eu não. Da mesma forma, nunca vi uma ação de reparação de danos quando os institutos de pesquisas erraram feio em seus prognósticos.

  2. Parabéns mestre Agenor por abordar um tema dessa magnitude no seu Artigo tão importante, pertinente e oportuno para o momento. Tenho saudades do tempo em que os Institutos divulgavam suas pesquisas de opinião com seriedade, transparência e sem viés político. Infelizmente isso não tem acontecido de uma década para cá. O dinheiro, a corrupção conseguiram contaminar alguns desses institutos(Ibope, Data-Folha e outros com pouca expressividade). Vivemos em clíma de desconfiança, nem mesmo as urnas nos dá sustentabilidade e confiabilidade diante dos fatos já confirmados da possibilidade de serem rackeadas e fraudadas. Espero que nessas eleições os eleitores vejam e tenham certeza de que seu voto fora realmente computado para o candidato da sua escolha. Na minha opinião, sou de acordo que nessas eleições os votos deveriam ser impressos eletronicamente e com possibilidade de serem reconferidos. Continuo sendo apreciador e leitor de seus artigos. Abraço.
    Carlos Olimpio Da Silva Ribeiro

  3. MAIS UMA VEZ, um Artigo atualizado e podemos dizer antenado com o momento. Todas colocações plenas de verdades dentro daquilo que deduzimos nas leituras diárias dos mais diversos noticiários. Só mesmo as urnas para conferir essas prévias que virou uma febre diária cujo termômetro só estará disponível dia 02.10. Resta esperar!

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