“I love Paraisópolis” tem estreia vibrante, cheia de ação e com elenco promissor

tvg_20150437_ea_i_love_paraisopolisModéstia não é um termo que se possa usar para falar de “I love Paraisópolis”, novela das 19h de Alcides Nogueira e Mário Teixeira que estreou anteontem na Globo. A noite foi aberta com aéreas de Nova York. Em seguida, Bruna Marquezine (Marizete) e Tatá Werneck (Danda) brincaram na neve, sonho dourado de qualquer espectador tupiniquim. Em seguida, foram roubadas e se viram em meio a uma operação policial que movimentou uma rua da cidade com direito a figuração numerosa. Finalmente, uma marcha à ré cronológica de uma semana levou a dupla de volta a Paraisópolis. O lugar foi apresentado com uma explicação igualmente grandiloquente: “São 100 mil pessoas morando ali e todo mundo querendo ser feliz”.

Wolf Maya, que assina a direção-geral junto com Carlos Araújo, é um homem de grandes empreitadas e aqui não foi diferente. Quando o capítulo terminou, o público ficou com a impressão de que vem aí uma história contada em ritmo vibrante, em que os atores eventualmente abusam do volume de decibéis agradáveis para o ouvido humano, com muitas externas e manobras de câmera. Pelo menos anteontem, cada sequência foi um acontecimento de impacto.

Como nas mais clássicas novelas, o mundo de “I love Paraisópolis” é dividido basicamente entre os pobres batalhadores e essencialmente bons e honestos e os ricos gananciosos e esnobes. Isso não é demérito, muito pelo contrário. Trata-se de uma novela que não tenta reinventar o gênero e lucra ao assumir sua pegada popular. Anteontem, entretanto, o choque não foi apenas de classes. Vimos um mesmo personagem receber um balde de tinta na cabeça e uma borrifada de desinfetante nos olhos; uma briga de rua entre três moças que se generalizou; um soco bem aplicado que arrancou um dente de ouro de um bandido. Muita gritaria, correria, trânsito confuso, e até uma vilã, Soraya (Letícia Spiller), atirando um objeto contra um espelho desafiando a crença de que isso não traz sete anos de falta de sorte.

O elenco, no geral, esteve bem. A dupla Bruna e Tatá esbanjou afinação e divertiu. Caio Castro (Grego, o bandido que tem coração) e Bruna não precisaram de muito tempo juntos para mostrar que podem facilmente compor um par que mobilize a torcida do público. Soraya Ravenle, Maria Casadevall e Maurício Destri estavam à vontade. Já Letícia Spiller, uma boa atriz, pode descer um tom. Henri Castelli, o vilão Gabo, esteve inexpressivo como em inúmeras outras aparições na TV.

Ficou bem claro no ar o aceno que a Globo está fazendo para São Paulo, onde fica o mercado publicitário. O carioquês das “da gema” Bruna, Letícia e Tatá foi devidamente podado. Está todo mundo pronunciando direitinho o “s”. Pode até soar falso para os espectadores do Rio, mas, para efeitos de audiência, funcionou.