Marcelio Oliveira – Consumo: substituto do prazer e da felicidade?

DSC003082s11“Falar obscuramente qualquer um sabe; com clareza, raríssimos!”. Galileu Galilei

Precisas ter! Precisas comprar! Precisas experimentar! Precisa de tudo, a qualquer custo, de qualquer modo! Ora, promessas vãs, momentâneas alegrias, sentidos descartáveis, é o reino das aparências, o primado da exclusão em uma insaciável procura por uma resposta que está além do consumismo.

Vivemos em um mundo cada vez mais consumista onde o consumo exagerado está sendo substituto, muitas das vezes, do prazer, da felicidade e do amor. Está até parecendo que todos se renderam ao consumismo sem tréguas e para aliviar as frustrações do dia a dia, vão direto fazer compras em shoppings centers, supermercados e lugares similares.

A propósito, em qual mercado comprar amor e comunhão, felicidade e paz? E prosseguirmos na sofreguidão de quem associa prazer e felicidade e consumo, consumo e prazer, num circulo vicioso que fez do mercado a mais nova e sedutora religião.

Uma das grandes culpadas por esse exagero consumista, certamente, é a mídia em geral, principalmente a televisiva. É ela que nos bombardeia a todo o momento com imagens nos fazendo acreditar que consumir em demasia é a solução para todos os nossos problemas existentes.

Existe ou existiu, não sei bem certo, por exemplo, um comercial de uma rede de supermercados que o slogan era o seguinte: “*** (nome do supermercado)… É LUGAR DE GENTE FELIZ”.

Isso sem falar em outras tantas propagandas que abusam de recursos apelativos e, assim, chamando a atenção do público consumidor, ou seja, o público-alvo para o consumo.

As crianças e os adolescentes são os mais atingidos por esses bombardeios, sendo que os últimos, por terem maior poder de persuasão, conseguem engambelar os mais velhos e gastam muito mais do que recebem por mês de suas mesadas.

É o caso desses jovens que, hoje em dia, estão envolvidos nestes rollezinhos e, tendo como exemplo, figuras como os cantores de funck ostentação os quais são tidos por eles como verdadeiros ídolos, imitados e sendo uma imagem que projeta o consumo que todo adolescente quer alcançar.

No entanto, existem aqueles que não têm muito ou nada para consumir que é o caso, ainda, da maioria da população em nosso país. Há alguns poucos que se conformam ou vão arrumar um emprego para exercer o seu poder de compras. Mas existem outros que não e, por isso, partem para o crime na busca de se igualarem ao demais.

Para conseguir vender os mais diversos produtos, os publicitários recorrem as mais diversas ideias a fim de alcançar seus objetivos.

Os veículos de comunicação, em geral, nos quais as propagandas são vinculadas, procuram atrair os clientes de diversas maneiras, que vão do humor, sensualidade, violência.

O apelo é, certamente, o principal chamariz que ajuda na venda de um produto ou imagem. Políticos e artistas são instruídos por marqueteiros para construírem uma imagem, muitas vezes, que não condizem com o que realmente são.

O visual sempre aguça a curiosidade do público que acaba sendo seduzindo pela embalagem, muitas das vezes, sem se importar com o conteúdo.

Mesmo não acreditando nas suas criações, os publicitários e atores continuarão a fazer seus trabalhos de maneira apaixonante. A criatividade desses é indiscutível e, realmente, impressionante. Por isso, que devem merecer o nosso respeito e consideração sempre. Porém, devemos ter cuidado para não sermos vítimas de suas criações.

Marcelio Oliveira (Para o Portaldenoticias.net)
Email: marceliojornalista@hotmail.com