Marcelio Oliveira: Salve, Salve! William Shakespeare!

marcelioEm abril do ano que vem, completa-se 450 anos do nascimento de William Shakespeare, (1564-1616), escritor que dispensa apresentações.

As celebrações serão acompanhadas por uma enxurrada de produções e publicações, justificadas também pela proximidade de outra efeméride: em 2016 fecham os 400 anos da morte do maior dramaturgo que o mundo já conheceu.

Durante este ano tive o privilégio de assistir algumas palestras e conferencias a respeito das principais obras do autor.

E deu início nesta quinta-feira, dia 23, aqui em São Paulo, com montagem da peça “Ricardo 3º”, assinado pelo diretor Marcelo Lazzaratto, as comemorações, mais que merecidas, ditas a cima, as quais estão inseridas na série “Shakespeare – Projeto 39”. Esse projeto é supervisionado pela crítica e tradutora da obra de Shakespeare, Bárbara Heliodoro, que pretende encenar todas as peças do autor durante os próximos 10 anos.

Falei tudo isso, de início, pois não poderia deixar de fazer a minha homenagem a esse grande autor, o qual é um dos meus favoritos. Fico aqui torcendo que desperte, por parte de quem ler essas linhas, a vontade de conhecer mais e mais da vida e obra de Shakespeare em todas as plataformas existentes. Boa leitura!

 

“NOSSO TEMPO ESTÁ FORA DOS EIXOS, MALDITA HORA QUE EU NASCI PRA ENDIREITAR” e “SER OU NÃO SER EIS A QUESTÃO” são algumas das mais conhecidas citações da literatura de todos os tempos.

Essas frases são atribuídas ao grande dramaturgo inglês de renome William Shakespeare, talvez o maior de todos, imitado e gloriado desde que se tem noticias de sua grande obra.

Escritor de peças teatrais que focam grandes dramas, e de comédias retirados da observação e conhecimento de pessoas.

O crítico de teatro Harold Bloom diz que Shakespeare é o “inventor do humano”.

Hamlet, um dos seus mais incríveis personagens, é o seu artífice. A dúvida de Hamlet não o leva a questionar Deus, mas sim o sentido da nossa existência humana sobre a terra.

“Ser ou não ser”, existir ou não. A vida vale à pena? Como se tem de viver a vida para que ela valha à pena? É esta a pergunta hamletiana. É nessa busca de um sentido real e verdadeiro para a existência, para o ser isto ou aquilo, para o ser honesto consigo mesmo ou ser honesto com os outros, que Hamlet se consome.

Cercado pelo mal, pela baixeza da condição humana, ele procura o caminho de uma existência que não seja a morte em vida.

“Ser ou não ser” é uma questão tão básica e tão simples que acaba por nos confundir. Trata-se dessa inquietação primaria e essencial que todos nós sentimos dentro de nós desde sempre e que vai continuar a fazer cócegas na nossa mente e no nosso coração até o fim.

“Conhece-te a ti mesmo” estava escrito na porta do oráculo de Delfos. “Quem sou eu?” é a pergunta que nos ronda desde que começamos a ter consciência de nós mesmos e de nosso lugar no mundo.

É por causa desta dúvida, dessa crise de identidade, que nos identificamos com os heróis modernos. Para viver no mundo, Super-Homem precisa ser Clark Kent, Batman precisa ser Bruce Wayne, Tarzan acha que é macaco e só pelo amor descobre que é humano e se identifica com imagens de seu pai e sua mãe. Luke Skywalker, o herói da série Guerra nas Estrelas é filho de Dart Vader, o agente do Mal, que escolheu o lado escuro da força.

Não é por outra razão que entendemos e nos identificamos com Hamlet. A cada página do livro que conta a sua história pergunta “ser ou não ser”. É ou não é um fantasma? É ou não é o fantasma do rei? A mãe dele é ou não é adultera? Hamlet é louco ou gênio?

Igual na vida, nenhuma pergunta encontra resposta.

E assim acabamos de ler o livro, saímos do teatro ou assistimos um filme sobre Hamlet, ou qualquer outra obra do autor, mais questionados do que quando entramos em contato com as obras, pois ninguém que realmente esteja em busca de si mesmo, de seu papel na vida e no mundo, consegue sair indiferente depois desta incrível experiência. Ao perguntar “ser ou não ser”, Hamlet desperta dentro de nós o Hamlet adormecido que todos nós somos.

E isso é o grande barato desse livro, cabendo a Hamlet a alcunha de um dos mais fantásticos e fascinantes personagens criados pela mente humana.

As questões humanas estão permeadas nesta obra de William Shakespeare, este grande criador de grandes histórias.

Nunca um personagem foi tão rico e complexo ao mesmo tempo, tão rico quando colocado no papel e representado e apresentado em diversos veículos como o teatro, o cinema e a televisão.

Hamlet convive e vive o tempo inteiro em busca de respostas, em uma Dinamarca corrompida, em um lar destruído, com a morte do pai e a desventura de um casamento prestes a ser realizado as presas entre a sua mãe e o tio, irmão de seu falecido pai.

Depois o que vem em cascata são cada vez mais dúvidas, em questão de que ele será um vingador terrível ou se virará um covarde que perdoa.

Escrito primeiramente em forma de peças teatral, Hamlet é um dos textos de Shakespeare mais encenados nos palcos desde a sua criação. No cinema, também, Hamlet, já virou filme em três versões, todas elas feitas com grande capricho e requintes de riquezas e de detalhes.

Grandes questões inerentes a todos nós estão inseridas nas peças de Shakespeare, principalmente, o que diz respeito as suas quatro grandes tragédias: O REI LEAR, MACBEHT, OTELO e HAMLET que são puramente acometidas de discussões de cunho familiar, ou seja, ausência de uma família de verdade em que haja harmonia e amor. Muito pelo contrário, no quesito família deixa muito a desejar, em todas as peças as famílias aparecem fora de eixo, totalmente desestruturadas.

Nas quatro grandes tragédias shakesperiana outro tema decorrente é a questão da dúvida, da ambigüidade e, acredito, que a questão mais latente seja relativa ao trinômio das perguntas filosóficas como: “DE ONDE EU VIM?” “QUEM SOU EU?” e “PARA ONDE EU VOU?”, a questão central do nascer, viver e morrer, em que os personagens estão sempre, assim como nós, em busca de respostas.

P.S.: Para saber mais sobre a vida e obra de Shakespeare vale uma conferida em alguns sites na internet. Existem vários site, por isso, não especificarei um em especial, é só colocar o nome do autor no buscador do google e bom divertimento.

Marcelio Oliveira (Para o Portaldenoticias.net)
Jornalista
Email: marceliojornalista@hotmail.com