“O que seria do Brasil se não fosse o PT?”, diz Lula ao lado de Dilma em Salvador

    RTEmagicC_dilmalulaeventosalvador.jpgEm cerimônia feita sob medida para exaltar os 10 anos da administração petista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 24, em Salvador, que a presidente Dilma Rousseff, presente ao evento, cumprirá suas promessas de campanha ao fim do primeiro mandato e que o grande “defeito” do PT foi dar “voz e vez” para os pobres. “O que seria do Brasil sem nós? A gente tem de olhar há dez anos quando chegamos ao governo. Temos o direito de reivindicar tudo que falta e o dever de dizer que tudo aquilo que conquistamos”, disse Lula, recebido pela claque aos gritos de “Olê-olê-olê-olá, Lula, Lula”.

    “Terminei o (primeiro) mandato com muito orgulho porque cumprimos tudo aquilo que tínhamos prometido. Tenho convicção de que o mesmo vai acontecer quando terminar o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.” Lula e Dilma se reuniram por mais de três horas no Bahia Othon Palace, mesmo local do seminário. O governador da Bahia, Jaques Wagner, e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, participaram da conversa.

    O seminário na Bahia encerra o ciclo de palestras sobre os 10 anos de gestão petista – Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo, Curitiba e Fortaleza receberam o evento. Em Salvador, um grupo de 150 manifestantes protestou perto do hotel, entre integrantes do Movimento Passe Livre, sem-teto e pescadores. “O grande defeito do PT foi ensinar aqueles debaixo de que eles podiam, de que eles podiam ter vez e voz”, disse Lula, aplaudido pelo público.

    Primeiro a discursar no seminário, Wagner criticou a recomendação da oposição e até mesmo de aliados de reduzir o número de ministérios. “Não é reduzindo ministério que se dá eficiência. É preciso saber para que cada ministério foi construído. E isso todos sabemos. Quando colocamos secretaria para as mulheres, é porque sabemos que precisamos dentro do governo ter foco naquilo que foi excluído e abandonado ao longo da história do Brasil.”

    Médicos
    A presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo pretende valorizar os médicos brasileiros e que eles terão sempre prioridade para ocupar as vagas no Sistema Único de Saúde (SUS). “Queremos um SUS gratuito, universal e de qualidade. E para isso são necessários recursos”, afirmou. “Mas também é necessário que tenhamos o profissional médico”, disse, ao citar que o quarto pacto proposto pelo governo é enfrentar a demanda pela saúde de mais qualidade.

    Segundo a presidente, hoje 700 municípios brasileiros não têm nenhum médico e 1.900 têm menos de um médico para cada três mil habitantes. “Por isso nós queremos levar o profissional onde falta, que é na periferia das grandes cidades, no interior do País e notadamente no Norte e Nordeste”, reforçou. Dilma comentou ainda o quinto dos cinco pontos propostos por ela, que é a realização “da tão falada reforma política, com consulta popular”.

    “Nós queremos que o povo balize qual reforma política nós iremos fazer”, afirmou. De acordo com a presidente, o PT tem o dever de liderar esse processo de mudanças, melhorar a representatividade e democratizar a política. “Tornar a política mais transparente é a resposta que podemos dar às manifestações”, disse.

    Ela afirmou que o PT precisa ter consciência de que criou “um imenso contingente de cidadãos com melhores condições de vida” e que agora clamam por mais mudanças. “Melhoria de vida rima com reivindicação, isso faz parte do nosso projeto.” Dilma disse perceber a tentativa de “alguns de interpretar a voz das ruas” como uma demonstração de que o País “pouco avançou nos últimos dez anos”.

    “Devemos rejeitar a tese de que nada foi feito pelo País”, afirmou, ressaltando que as manifestações não estão sendo “inauguradas” hoje. “Há 10 anos tratamos de fazê-las”. De acordo com a presidente, as manifestações não estão pedindo uma volta ao passado. “Eles exigiram avanços. Fizemos o mais urgente para momento em que vivíamos, agora somos cobrados a fazer mais”, disse. “Somos capazes de fazer as mudanças e de aprofundá-las.” (Estadão Conteúdo)