Por trás desta família aparentemente normal está a história de canibalismo mais macabra da história do país

Você conhece a história dos Canibais de Garanhuns? Olhando para a foto dos três acusados de praticar alguns dos crimes mais brutais da história do país durante uma das audiências de julgamento, é até possível se enganar achar que ambos são pessoas normais, mas é como diz o ditado, quem ver cara não ver coração.

Canibais de Garanhuns

A história dos trio parece roteiro de filme de terror, tudo milimetricamente arquitetado e posto em prática por três pessoas criadoras de uma suposta seita. Os suspeitos planejavam assassinatos macabros com requintes de crueldade. Os “Canibais de Garanhuns”, como ficaram conhecidos, foram destaque nas mídias nacionais e internacionais pela forma fria como agiam os suspeitos dos crimes e pela revolta da população.

sentenca1
Trio de canibais durante o júri popular realizado em Olinda no ano de 2014 (Foto: Anna Tiago/G1/Arquivo)

O trio Jorge, Bruna e Isabel matava pessoas, “tratava” as carnes, congelava e depois as consumia durante as refeições. Não bastasse o canibalismo, os três ainda recheavam coxinhas e empadas com carne humana para comercializar no município de Garanhuns, localizado no Agreste pernambucano.

20141114214945874346a
Foto reprodução

O caso considerado um dos crimes mais chocantes do país na última década, se tornou até um livro-reportagem, produzido pelo jornalista e escritor Raphael Guerra – em parceria com a Chiado Editora.  Para o autor de “Os Canibais de Garanhuns”, Raphael Guerra, vários detalhes chamaram a atenção durante o desenrolar da história. “O caso surpreendia a imprensa todos os dias. Começou com a descoberta de dois corpos enterrados em uma casa. No dia seguinte, começou a reviravolta, com a suspeita de ritual macabro criado pelo trio. Depois surgiram as histórias de salgados recheados com as carnes das vítimas e vendidos em Garanhuns. Tudo isso foi muito inusitado e chocante”, afirmou.

1902324
Foto reprodução

Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, 55 anos, Isabel Cristina Torreão Pires, 56, e Bruna Cristina Oliveira da Silva, 31, foram condenados por matar, esquartejar e comer a carne do corpo da adolescente Jéssica Camila da Silveira Pereira, com 17 anos na época do crime, em 2008. O trio ainda foi responsável pelo assassinato de Giselly Helena da Silva, 31 anos, e Alexandra Falcão da Silva, 20 anos, no Agreste de Pernambuco. Casos que deram início às investigações e revelaram uma história de horror com repercussão mundial, sem falar nos possíveis outros crimes que não foram descobertos.

Jorge Beltrão tem características de um esquizofrênico. Ele chegou a detalhar em uma espécie de diário macabro, as barbaridades que praticava com as vítimas. Para realizar os crimes, o acusado contava com a parceria da mulher, Isabel Cristina, e a lealdade da amante, Bruna Cristina. era uma relação estranha de convivência, aparentemente harmoniosa entre os suspeitos, que dividiam a mesma casa e agiam em cumplicidade. Quando foram presos em abril de 2012, o trio de canibais relataram a polícia que eram integrantes de uma seita chamada Cartel, cujo o objetivo era a purificação do mundo e o controle populacional através das vítimas mulheres.

caruaru2
Os assassinos de Garanhuns matavam as pessoas e faziam coxinhas com a carne delas

Jéssica Camila foi atraída para trabalhar como doméstica na casa dos criminosos quando foi esquartejada no bairro de Rio Doce, em Olinda. A filha da vítima, uma criança ainda pequena, passou a ser criada por Jorge. Os ossos da adolescente foram enterrados no quintal da residência e várias partes do corpo foram encontrados entre as frestas da parede do imóvel. O restante foi consumido pelo trio de canibais. Segundo a polícia, a criança também comeu carne da própria mãe. Os acusados chegaram a rechear coxinhas e empadas com restos mortais para vender na feira livre de Garanhuns.

casa queimada
Casa dos Canibais foi incendida na época/Foto reprodução NE10

A revolta da população sobre a história de horror provocou uma indignação na cidade de Garanhuns, onde o trio vivia aparentemente como uma família comum. Após a prisão do trio, a casa onde os suspeitos moravam foi incendiada. Objetos e provas do crime foram destruídos, mas muita coisa ainda restou para servir como base de acusação contra os canibais. O diário de Jorge Beltrão e filmes de terror caseiros – produzidos por ele e com a participação da esposa – eram indícios para a polícia de que fantasia e realidade eram confundidas. Em depoimentos gravados na delegacia, as revelações eram ainda mais surpreendentes.

A suspeita de insanidade mental foi descartada por meio de exames. Os resultados apontaram que eles poderiam responder pelos atos de canibalismo. Detidos em presídios no interior de Pernambuco, os acusados foram condenados a mais de 30 anos de prisão.

Por: Portaldenoticias.net (Com informações do G1 e NE10)