Siameses baianos vão colocar expansores de pele antes de separação, em Goiânia

siameses2Unidos pelo tórax, abdômen e bacia, os gêmeos siameses Arthur e Heitor, de 4 anos, se preparam desde o nascimento para a cirurgia de separação. Na quarta-feira (20), eles vão se submeter a um procedimento cirúrgico para colocar duas bolsas expansoras de pele. A equipe médica espera que essa seja a última etapa antes dos irmãos serem separados.

A previsão é de que os irmãos passem pela cirurgião se separação no início do próximo ano. “Eles já estão com oito expansores, mas ainda não têm a pele suficiente”, explicou o cirurgião pediátrico que acompanha o caso, Zacharias Calil.

Referência no país em separação de siameses, o médico classifica o caso como grave e complexo. “Vamos ter que dividir o fígado, a bexiga, o intestino delgado, o grosso, entre outros órgãos”, explica.

Segundo o médico, pela literatura médica, as chances de sobrevivência são de 50%. Mas Calil está otimista. O especialista já realizou 10 cirurgias de separação, com sobrevida em 60% dos casos.

mae_siamesesArthur e Heitor nasceram em abril de 2009, no Hospital Materno Infantil (HMI), unidade referência no acompanhamento de siameses, em Goiânia. A família é de Riacho de Santana, cidade do interior da Bahia. A mãe, Eliana Ledo Rocha dos Santos, de 37 anos, conta que praticamente mora na capital. “A nossa casa [na cidade baiana] virou local de passear”.

Eliana procurou ajuda HMI antes mesmo do nascimento dos filhos. “Quando eu descobri que eles eram siameses, procurei na internet algum caso semelhante ao meu e li sobre a equipe do doutor Zacarias Calil. Vim para Goiânia grávida, eles nasceram no HMI”, relata.

A mãe, que deixou o emprego de professora para cuidar das crianças, se orgulha de ter alfabetizado os filhos: “Eles já sabem ler e escrevem algumas palavras”. Eliana conta que eles são alegres, brincalhões e adoram jogar no computador.

Apesar da gravidade da cirurgia, Eliana diz estar confiante e tranquila. “Eles falam que querem se separar. Entram muito em conflito em relação ao que querem ver na TV, ao lugar que querem ir. Esse desejo deles me tranquiliza e deixa mais confiante”, afirma.

G1/BA