EDITORIAL ANO IV NÚMERO 217 – TAL PAI, TAL FILHO?

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AgenorQuando o que mais se esperava era um início de ano alvissareiro, com um horizonte pleno de boas expectativas, sem os percalços que tanto incomodaram a vida das pessoas no Brasil e no Mundo, eis que a maior potência mundial, parâmetro modelar do Sistema Democrático em todo o universo, e sob a convocação e incentivo direto do próprio Presidente da República, Sr. Donald Trump, que já está praticamente com os dois pés fora da Casa Branca, dá um péssimo e indigno exemplo de como insuflar a população à desordem e à anarquia contra as Instituições.

O que se presenciou no último dia 06 de janeiro nos EUA, foi tão raro e inusitado de se ver que, certamente, vai ser uma página virada na História americana! Pela República dos EUA nunca passou um Presidente tão obtuso e débil no exercício da liderança do país, tanto no plano interno como internacional. Se o chamarmos de casca-grossa é uma forma clássica para não o classificar de despreparado para o cargo.

Derrotado fragorosamente na eleição dos Delegados do Colégio Eleitoral que elegeu o seu concorrente Joe Biden, ele ainda insiste em dizer que houve fraude, mas não exibe nenhuma prova. A Lei Eleitoral americana exige a Certificação da contagem final dos votos registrados, de 306 para Biden e 232 para Trump, numa Sessão Conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A invasão objetivou justamente impedir a realização da sessão, que veio ocorrer somente após o controle feito pela Guarda Nacional. A expressão que é muito usada nos países latinos, logo foi aplicada para qualificar o episódio: “tentativa de golpe”!

Os Estadistas importantes das maiores nações do mundo reagiram indignados diante do episódio dantesco ocorrido no Capitólio, com a destruição de instalações internas e documentos, em atos de vandalismo jamais imaginados de ocorrer numa potência política e econômica desse nível. O absurdo revoltou tanto os políticos americanos, que até mesmo Senadores do Partido Republicano, do Presidente, não só manifestaram revolta por ver o seu líder incentivar os seus apoiadores a uma manifestação tão deplorável, como alguns mudaram os seus votos na confirmação do resultado da eleição.

Vivemos aqui no Brasil cercados de muitos problemas e não seria pertinente dedicar atenção ou atribuir foco à eleição americana. Mas, não é possível desconhecer que se trata da nação líder do bloco de países ocidentais, do qual o Brasil faz parte, e não podemos desprezar a gravidade de acontecimentos dessa ordem, bem como as possíveis implicações e consequências de um eventual mal líder a ser eleito por lá.

Quando muito se fala do desempenho do Presidente do Brasil, não somente a preocupação está voltada para o encaminhamento dos problemas, gestão de crises internas, Pandemia e créditos emergenciais de socorro etc., mas, também, a sua capacidade de ser um líder representativo da Nação no contexto internacional, postura digna e equilíbrio ao se manifestar sobre assuntos de interesse comum entre as nações.

Por exemplo, a partir da hora em que o Trump alegou ter existido fraude nas eleições de lá, nunca comprovada, o Bolsonaro, que muito se identifica com ele, passou a repetir com frequência a ladainha de que aqui também houve fraude. Então, a sua eleição está sob irregularidade? Pior, já profetisa que poderá haver fraude em 2022, e planta ameaças de que aqui poderá ser pior do que lá! Prega a volta às cédulas eleitorais, num pensamento retrógrado e inimaginável!

Ora, é inquestionável que ambos muito se identificam e a loquacidade destemperada do de lá, muito se assemelha ao de cá… Como pode o próprio Presidente estimular a agitação e a intranquilidade na Nação? Bem afirmou o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia: “Bolsonaro consegue superar os delírios e devaneios de Trump”. Ou seria cabível a comparação: “tal pai, tal filho”?

Existe uma inter-relação cultural, social ou de interesses econômicos comuns entre os países que integram a comunidade internacional, não se concebendo o isolamento ou individualismo de qualquer Nação, por mais poderosa que seja. Assim, a identificação política entre os dois Presidentes atuais, não deve se sobrepor aos interesses nacionais, visto que já estará consumada a posse no próximo dia 20/01, do novo Presidente nos Estados Unidos da América.

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Agenor Santos

Autor:  Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público de Salvador – BA.

 

Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade – 10/01/2021

Comentários

13 COMENTÁRIOS

  1. A insanidade mental pode, de uma hora para outra, modificar a estrutura governamental do mundo (vide Hitler Mussolini e Hiroito). Pensar que nos EEUU poderia surgir alguém com objetivos antidemocráticos para tentar a solidez da constituição americana, pode ser inacreditável.
    A existência da ONU. não e uma garantia para a perfeita democracia no mundo. Só um novo Cristo aparecendo, para com seus milagres ressurgir num mundo novíssimo para estabelecer uma nova paz social universal, criando um novo conceito de democracia para compreensão dos insanos. (Salvador-BA).

  2. Prezado amigo e irmão Agenor!!! De forma translúcida e coerente com os princípios democráticos e ético, você expõe de forma real às mazelas de um governo hipócrita, desequilibrado e sem noção, que nos representa. Necessariamente, tínhamos que mudar, pois, o governo que tínhamos (e que eu, por princípio e ideologia, participava), naufragou em corrupção e deslumbramento com o poder, porém, a dose do conserto, foi cavalar. É, o preço que se paga por falta de opção de políticos justos, honestos e decentes. Vamos, indubitavelmente, continuar crendo e fazendo a democracia firme, forte e verdadeira, independente de partido e pessoas, pois a Nação é maior que tudo e todos!! (Maracás-BA).

  3. Caro amigo Agenor, nós que vivemos o duríssimo período da ditadura, não merecemos outra, capitaneada por um ex-capitão colocado na reserva em razão de seus desvarios e radicalismos.
    Confesso que me amedronta o futuro, especialmente 2022: cá, como lá, uma minoria pode provocar um tumulto assustador; cá, não sabemos se teremos autoridades racionais e com interesse legítimo no país e na sociedade, que possam frear a turba insana e seguir a Constituição. Aguardemos. Oremos. (S. Paulo-SP).

  4. Texto muito coerente, Agenor. Pena que serviu para que viúvas do maior ladrão de todos tempos se aproveitassem para continuarem com as mentiras e devaneios criados pela grande mídia, carente de verbas do governo federal, e só por isso sua crítica voraz, sendo capaz de incutir na cabeça de alguns incautos a ideia de que o presidente é o grande culpado pelas mortes pela COVID-19 no Brasil, mesmo todos tendo conhecimento de que o STF retirou do governo federal o controle do combate a pandemia e passou todo o poder de decisão para os governadores e prefeitos, cabendo ao governo federal somente a obrigação do aporte financeiro a ser repassado para estados e municípios, estes com todo o direito de assinarem contratos e convênios sem qualquer licitação, o que vem causando um rombo exorbitante com o desvio de verbas que seriam para o combate à pandemia, direto para os bolsos de governadores, prefeitos e secretários. (Barra do Mendes-BA).

  5. Leio suas crônicas com prazer. Escolhe assuntos atuais e palpitantes e é bom ver como discorre com isenção, mormente quando de natureza política. (Salvador-BA).

  6. Todo país está atônito ao desgoverno de um presidente egoísta e obtuso. Aqui poderia se dizer: eu sou você amanhã Trump. Com mais 200 mil mortos, o que esperar se o governante supremo da nação já está preocupado com as improváveis fraudes já antevendo uma derrota acachapante? (Irecê-BA).

  7. Leio com muito interesse suas crônicas semanais que me agradam muito. Aproveito para enviar um fraterno e caloroso abraço pelo seu aniversário no dia de ontem. PARABÉNS. (Salvador-BA).

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