EDITORIAL ANO VI NÚMERO 262 – FESTAS: SERÁ QUE ESTÁ NA HORA?

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Não há qualquer dúvida, que suprimir festas tradicionais do calendário é algo que mexe profundamente com as emoções das pessoas, sobretudo quando se imagina um povo de vocação alegre e “festeira” como o brasileiro e, em particular, pela característica inata na gente nordestina. Suprimir festejos e manifestações populares e religiosas, típicos de cada região, carregados de marcantes e indefectíveis traços culturais, como o Carnaval, as Festas Juninas, Folia de Reis, Círio de Nazaré, Festa do Peão de Barretos, Lavagem do Bomfim, dentre outras, é algo que chega a ser impensável, principalmente por muito tempo, quadro com o qual já convivemos há quase dois anos.

Não obstante o amplo universo de reflexão gerada por tudo isso, além da ampla complexidade das posições divergentes, seja pelo grau de entendimento e análise pessoal de cada um ou, ainda, por razões de identidade solidária com o entendimento da liderança política, o fato gerador de tudo isso tem de ser submetido a uma avaliação independente, coerente e corajosa por quem de direito, assim como a compreensão por cada cidadão brasileiro. Mesmo entendendo que o nosso povo precisa desse combustível de alegria, como forma de superação de tantos desmandos e tantas decepções vividas no seu dia a dia.

Tenho o entendimento de que quando qualquer Nação do mundo vive um problema de certa intensidade ou conflitos internos, se este for de natureza político-institucional, cabe-lhe, obviamente, em respeito aos direitos reservados pela autodeterminação dos povos, buscar a própria solução e a superação de tais dificuldades. Contudo, quando essa Nação sofre, por extensão, os efeitos de uma Pandemia tipificada como uma tragédia de mais de 5 milhões de mortes em todo o mundo, a luta pela sobrevivência já passa a ser uma batalha universal e não uma sofrida peleja isolada de um só povo. E é aqui que está o “X” da questão. É aqui que está a pergunta que não quer calar: Quer pagar para ver?

Diante desse contexto, impõe-se que os estudos e pesquisas para o combate ao vírus, bem como as soluções perseguidas para proteger as populações quanto à maneira de conviver num estado grave de Pandemia ou em defesa da própria vida, será necessário que se adote os bons exemplos praticados no resto do mundo, e não conduzido internamente com soluções individualistas e exclusivistas, ou até como objeto das nojentas demandas político-partidárias. Isso é politizar a dor e o sofrimento das pessoas. Ou até mais que isso, é a plena demonstração da falta de sensibilidade humana que alguém pode ter.

Na medida em que se aproxima o final de ano, é grande a inquietação e a cobrança por uma decisão dos Governadores e Prefeitos – já que o Governo Federal vive o conforto de só comprar e pagar vacinas! -, visando liberar tudo nesse período de Réveillon e Carnaval. O coração pede, naturalmente, mas vamos ver o exemplo do que está acontecendo pelo Mundo com os países que liberaram tudo, acreditando que o Vírus tinha passado? Vejamos alguns registros:

– Casos de COVID-19 disparam – quarta onda – e a Irlanda limita horário de                         bares e restaurantes;

– A Alemanha impõe novas regras para o uso do transporte público, face ao                          COVID;                                                                                                                      – Com a nova onda de COVID-19, Amsterdã cancela festa de Réveillon;                              –  República Tcheca proíbe acesso de não vacinados a restaurantes e bares;                        – A Áustria decreta lockdown e confina toda a população, e torna a vacina                             obrigatória;                                                                                                                 – A Rússia decreta lockdown total por duas semanas;

– Europa volta a se tornar o epicentro da pandemia de coronavírus. Esta semana a situação foi considerada de “muito elevada preocupação” em países, como: Croácia, Grécia, Hungria, Polónia e Eslovénia, enquanto outros 17 países estão em “elevada preocupação”, e Portugal está no grupo de “preocupação moderada”, com a Finlândia, França, Malta e Suécia.

Precisa comentar? Alguém está tendo conhecimento desses fatos? Será que a imunidade total chegou aqui e até o final do Artigo não tomei conhecimento? Se na Europa essa doença está voltando com toda força e aqui apenas diminuiu devido à vacina, será que é mesmo a HORA DE VOLTAREM AS FESTAS?

AUTOR: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).

 

 Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade – 28/11/2021

 

Comentários

15 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia, Agenor!

    Seus apontamentos são dignos de reflexões e atenção para as autoridades nacionais e internacionais.

    No cenário atual, mesmo quando achamos que vimos de tudo, podemos nos surpreender

  2. Indiscutivelmente, não há qualquer dúvida que suprimir festas tradicionais do calendário é algo que mexe profundamente com as emoções como o brasileiro de norte a sul, nordeste e em especial o carnaval. Como estamos convivendo com o quadro de pandemia há praticamente há quase dois anos.

    Não obstante os registros em sua presente crônica, pelas informações do jornal de ontem à noite, verificamos que está havendo a presença de mais uma variante que surgiu em alguns países da África, e que chegou a refletir esta situação em outros países, inclusive ao Brasil uma verdadeira preocupação. É hora de as autoridades de Órgãos científicos do Brasil, estudar a presente situação com objetivos de responder as autoridades do nosso país informarem ao povo em geral: SERÁ QUE A HORA DE VOLTAREM AS FESTAS CHEGOU PARA NÓS? O UNIVERSO DE TANTAS MORTES E INFECÇÕES DE COVID-19, ATÉ O MOMENTO NÃO CHEGOU A HORA DE FAZER UMA PROFUNDA REFLEXÃO? (Manaus-AM).

  3. O momento em que o ômicron eclode, para nosso País, é um dos piores: festas (Natal, Réveillon e Carnaval) batendo às portas. Considere-se, ainda, que essas festividades são o “combustível de alegria” de que tanto “o nosso povo precisa”. Combustível que, neste momento político, nossas lideranças, matreiramente, disputam.
    Vale lembrar que, no ano passado, quando o coronavírus estava fervilhando, muitas atividades foram contidas, menos as campanhas políticas, o que, em meu entendimento, fizeram elevar o número de casos suspeitos da doença e a quantidade de vidas perdidas – além da negligência do Governo Federal na aquisição de vacinas.
    Entendo, conforme comentei, em algumas oportunidades, que se a campanha política e a eleição fossem feitas via on line, como várias atividades (aulas, trabalho, atividades judiciais…) o foram, os efeitos da pandemia, no Brasil, poderiam ter sido menos avassaladores.
    Portanto, como diz a sabedoria popular: “Quando a cabeça (o Governo) não pensa, o corpo (a Nação) é quem padece.” Parabéns por sua aguçada percepção! (Maceió-AL).

  4. Agora é o momento de questionar as pessoas que dão pitacos nas crônicas semanais, que praticamente fazem crônicas em cima das crônicas, vamos ver como vai se comportar diante dessa situação. Na minha opinião será uma irresponsabilidade abrir e relaxar nesse momento, apesar dos avanços nas vacinas. (Salvador-BA).

  5. Muito bom! Bem colocada a sua preocupação amigo. Agora, temos que contar com o bom senso e responsabilidade dos governantes, para decidir pela realização ou não das grandes festas populares. (Rio de Janeiro-RJ).

  6. É claro que não. Torço para que o poder público tenha responsabilidade e se apiede do povo que, mais tarde, terá suas festas voltando no momento certo. (Salvador-BA).

  7. Meu irmão, parabenizo pela excelente reflexão, entretanto, como filho de Deus que somos, devemos pensar mais nas palavras do Evangelho do Divino Mestre Jesus e aceitar com resignação à Sua Vontade.
    Acredito que, se a Humanidade não se transformar Interiormente (espiritualmente) isso vai levar muitos de nós ao Juízo Final. (Rio de Janeiro-RJ).

  8. Olá meu GURU Agenor. Parabéns, de novo. Belo trabalho, muito bom texto. Apenas não assino contigo a frase que diz: “que o Governo Federal vive o conforto de só comprar e pagar vacinas!” (Belo Horizonte-MG).

  9. A maioria das pessoas que não perderam um ente querido para o covid não imagina a dor de sepultar um pai , uma mãe, um filho etc..sem sequer poder se despedir. Antes de pensar em festas precisamos pensar em vidas. (Mutuípe-BA).

  10. Sou contra a se pensar num carnaval com três milhões pessoas, como o daqui de Salvador. Mas sei que na Europa o vírus ganhou força por conta dos Negacionistas (lá também tem jumentos)… (Alagoinhas-BA).

  11. Caro Agenor. Como dizia, se não me engano, o Barão de Itararé: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. A PRESSÃO DOS QUE GANHAM A VIDA ORGANIZANDO E PROMOVENDO FESTAS, O COMÉRCIO QUE ESPERA UM ESTOURO DE VENDAS NO NATAL, ETC. É MUITO GRANDE SOBRE OS PREFEITOS E GOVERNADORES. MUITOS PAISES NA EUROPA ESTÃO COM A VACINAÇÃO RETARDADA (HÁ PAISES QUE NÃO VACINARAM AINDA 20% DA POPULAÇAO, COMO ALBÂNIA, UCRÁNIA. ATÉ NA ALEMANDA HÁ REGIÕES ONDE HOUVE FORTE RESISTÊNCIA Á VACINA E SÃO, POR ISSO, FOCOS DE CONTAMINAÇÃO). VAMOS ASSISTIR O EFEITO SANFONA: ABRE, A COVID19 AUMENTA, FECHA. ESTÃO PENSANDO EM EXIGIR, PARA INGRESSO NESSES EVENTOS, A COMPROVAÇÃO DE VACINAÇÃO EM DIA. PARABÉNS PELA PRECISA E OPORTUNA CRÔNICA. (BRASÍLIA-DF).

  12. Sou contra a se pensar num carnaval com três milhões pessoas, como o daqui de Salvador. Mas sei que na Europa o vírus ganhou força por conta dos Negacionistas (lá também tem jumentos)…

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